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Trump compra US$ 1 milhão em títulos da Netflix e Warner após acordo

Aquisição de títulos de dívida aconteceram semanas após o anúncio do acordo bilionário entre as empresas

Declarações financeiras de Trump mostram aquisições de títulos de dívida da Netflix e da Warner (ANDREW CABALLERO-REYNOLDS/AFP)

Declarações financeiras de Trump mostram aquisições de títulos de dívida da Netflix e da Warner (ANDREW CABALLERO-REYNOLDS/AFP)

Publicado em 18 de janeiro de 2026 às 11h13.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comprou cerca de US$ 1 milhão em títulos de dívida da Netflix e da Warner Bros. Discovery (WBD) nas semanas seguintes ao anúncio do acordo entre as duas empresas. A informação consta em um formulário de declaração financeira divulgado na sexta-feira, 16, pela Casa Branca.

Segundo o documento, Trump adquiriu entre US$ 250.001 e US$ 500.000 em títulos da Netflix em duas datas — 12 e 16 de dezembro. No mesmo período, comprou valores na mesma faixa em títulos da Discovery Communications, subsidiária da WBD. A declaração cobre transações realizadas entre meados de novembro e o fim de dezembro.

O acordo entre Netflix e Warner Bros. Discovery foi anunciado em 5 de dezembro e avaliado em US$ 82,7 bilhões. Pelos termos divulgados, a Netflix ficará com os estúdios da Warner Bros., a HBO, a HBO Max e o setor de games.

Já o futuro das redes de TV da WBD, como CNN e TNT, ainda está em aberto: elas ficaram fora da operação e poderão ser reunidas em uma nova empresa, a Discovery Global, prevista para ser criada no terceiro trimestre de 2026 para os atuais acionistas da Warner Bros. Discovery.

As declarações financeiras, publicadas pelo Escritório de Ética Governamental dos EUA, segundo a revista Variety, mostram que a maior parte dos investimentos de Trump está concentrada em títulos municipais, como os emitidos por cidades, distritos escolares, empresas de serviços públicos e hospitais. Ele também comprou títulos de empresas como SiriusXM, Boeing, General Motors, Macy’s, Occidental Petroleum e Whirlpool.

A Casa Branca informou que o portfólio financeiro do presidente é administrado de forma independente por instituições terceirizadas e que nem Trump nem familiares participam ou influenciam as decisões de investimento, segundo a Reuters.

Encontro entre Trump e Netflix

Em dezembro, Trump se reuniu na Casa Branca com o co-CEO da Netflix, Ted Sarandos, para discutir o acordo envolvendo a Warner Bros. Discovery. No mês passado, durante evento no Kennedy Center, em Washington, Trump afirmou que a aquisição precisaria ser reavaliada e declarou: "Estarei envolvido nessa decisão".

Ele também disse que a participação de mercado de uma Netflix combinada com a Warner Bros. e a HBO Max "poderia ser um problema".

Ainda em dezembro, Trump afirmou que, em "qualquer acordo" envolvendo a WBD, a CNN deveria ser vendida, de forma conjunta ou separada. "Acho que a CNN deveria ser vendida porque acho que as pessoas que estão administrando a CNN agora" são "corruptas ou incompetentes", disse ele, acrescentando que não gostaria que a atual gestão fosse beneficiada financeiramente por uma operação desse tipo.

Paralelamente, Netflix e WBD enfrentam uma oferta hostil da Paramount Skydance, controlada por David Ellison, que tenta convencer os acionistas da Warner Bros. Discovery de que sua proposta de US$ 30 por ação é superior à da Netflix.

A Paramount entrou com um processo para obter informações financeiras da WBD, incluindo dados sobre a avaliação da futura Discovery Global, e afirmou que pode iniciar uma disputa por procurações para eleger conselheiros favoráveis à sua oferta.

No dia 11 de janeiro, Trump compartilhou em sua rede Truth Social, sem comentários, um artigo de opinião da OAN intitulado "Parem a Dominação Cultural da Netflix". O texto afirma que a empresa "tem usado repetidamente sua plataforma global para promover narrativas progressistas enquanto suprime pontos de vista divergentes" e que, caso conclua o acordo com a WBD, a Netflix "se tornará a guardiã cultural mais dominante que os Estados Unidos — e grande parte do mundo — já viram".

Questionado sobre a publicação, Ted Sarandos disse ao New York Times: "Não sei por que ele faria isso. Nunca conversamos sobre nenhum dos assuntos abordados no artigo que ele publicou. Também não quero interpretá-lo de forma exagerada."

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