Mundo

Reino Unido quer reatar laços com a China em meio à pressão de Trump

Premiê Keir Starmer chegou em Pequim nesta terça e busca fechar parceria comercial

Keir Starmer, premiê do Reino Unido, ao chegar em Pequim, em 28 de janeiro (Carl Court/AFP)

Keir Starmer, premiê do Reino Unido, ao chegar em Pequim, em 28 de janeiro (Carl Court/AFP)

Publicado em 28 de janeiro de 2026 às 14h37.

O primeiro-ministro do Reino Unido Keir Starmer chegou nessa quarta-feira 28 em Pequim, marcando a primeira visita à China por um líder britânico desde 2018. Durante as conversas, a delegação britânica busca reatar laços com o país de Xi Jinping, a segunda maior economia do mundo e importante parceiro comercial do Reino Unido.

Terceiro maior parceiro comercial do Reino Unido, a China é responsável por 370.000 empregos britânicos, segundo o jornal The Guardian.

Acompanhado em sua visita de três dias para Pequim e Xangai por 60 representantes dos principais negócios nos setores da saúde, finanças, organizações culturais e importantes empresas, o premiê visa firmar acordos comerciais que possam trazer um alívio econômico ao seu país.

Apesar disso, Starmer busca assegurar à população que contestará pautas controversas, como preocupações com direitos humanos e a perseguição de Jimmy Lai, um cidadão britânico de Hong Kong e crítico do governo chinês, encarcerado desde 2021.

A visita é realizada em um cenário de incertezas externas e internas. No palco internacional, cada vez mais aliados dos Estados Unidos buscam se distanciar da administração de Trump, arriscando atrair a inimizade do republicano, após uma série de sanções comerciais e ameaças militares como a anexação do Canadá e da Groenlândia e as consequências tarifárias para quem se opusesse aos planos.

Relação inconsistente

“Durante anos, nossa abordagem em relação à China foi marcada por inconsistências, oscilando entre uma era de ouro e uma era glacial. Mas, quer queiramos ou não, a China é importante para o Reino Unido”, afirmou.

“Como um dos maiores atores econômicos do mundo, uma relação estratégica e consistente com a China é de suma importância para o nosso país. Isso não significa ignorar os desafios que ela representa, mas sim dialogar mesmo quando discordamos.”

Starmer se elegeu com a premissa de reviver laços saudáveis com a China, e sua narrativa parece se alinhar com as de seus aliados na Europa: o presidente francês Emmanuel Macron visitou a China 3 vezes desde 2018, enquanto líderes alemães visitaram 4 vezes no mesmo período, com o  chanceler Friedrich Merz planejando voltar em fevereiro.

Além disso, Antonio Costa, presidente do Conselho Europeu, e Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, se encontraram com Xi Jinping em julho. E, apesar das oposições ideológicas, Donald Trump planeja visitar a China em abril.

Mesmo assim, qualquer aliado histórico dos EUA que busque reatar laços com a China arrisca desapontar Trump. Em uma postagem na rede social Truth Social, o republicano disse sobre o premiê canadense Mark Carney:

“Se o governador Carney pensa que vai transformar o Canadá em um ‘porto de distribuição’ para a China enviar mercadorias e produtos para os Estados Unidos, está absolutamente enganado”, escreveu Trump na plataforma, chamando Carney de “governador” em referência às suas repetidas ameaças de anexar o Canadá e torná-lo o 51º estado dos EUA.

Oposição à China

A oposição a Starmer, centrada no Partido Conservador, se opõe a qualquer tipo de cooperação com a China. Seus rivais dizem que Starmer vem fazendo demasiadas concessões, o que apontaria fraqueza política.

A secretária conservadora Priti Patel diz: “As evidências são esmagadoras que a China representa uma séria ameaça à nossa segurança nacional e é evidente que Keir Starmer está indo à China sem qualquer poder de barganha. Ele não tem a coragem de defender a Grã-Bretanha e está se curvando diante de Pequim.

As preocupações são atiçadas ainda mais pela construção de uma “mega-embaixada” chinesa em Londres, que a oposição acredita que se tornará um centro de espionagem da China no país. Uma medida controversa, a construção da embaixada, que seria a maior da Europa, abrigando 200 funcionários, é contestada por habitantes e por membros do parlamento através do espectro político.

A China é acusada de tentar recrutar informantes no parlamento, assediar ativistas democratas de Hong Kong no Reino Unido e envolvimento em ataques virtuais.

Petri Patel vê a construção da embaixada como uma “concessão vergonhosa”, dizendo que Starmer estaria fornecendo Xi Jinping exatamente com “o que ele quer – um centro colossal de espionagem no coração da nossa capital.” Mesmo assim, a construção da embaixada pavimentou o caminho para o encontro entre Starmer e Xi.

Acompanhe tudo sobre:ChinaReino UnidoDonald Trump

Mais de Mundo

Irã diz que 'responderá como nunca antes' caso Trump faça novo ataque

Trump ameaça o Irã com 'uma frota maior que a enviada à Venezuela'

Lula critica 'investidas neocoloniais' de Trump e elogia Roosevelt no Panamá

Irã descarta negociações com os EUA sob ameaça militar