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ONU anuncia evacuação de 11 mil marinheiros militares parados em Ormuz

A operação será coordenada pela Organização Marítima Internacional após retomada parcial do tráfego na rota estratégica de petróleo, ainda sob tensão entre Irã e Estados Unidos

Estreito de Ormuz: passagem próxima ao Irã foi um dos pontos centrais de disputa durante a guerra com os EUA (Constantine Johnny/Getty Images)

Estreito de Ormuz: passagem próxima ao Irã foi um dos pontos centrais de disputa durante a guerra com os EUA (Constantine Johnny/Getty Images)

Publicado em 23 de junho de 2026 às 14h47.

Última atualização em 23 de junho de 2026 às 16h04.

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A Organização das Nações Unidas (ONU) anunciou nesta terça-feira, 23, um plano de evacuação para mais de 11 mil marinheiros em embarcações militares ainda paradas no Estreito de Ormuz, próximo ao Irã. A ação será coordenada pela Organização Marítima Internacional (OMI), agência da ONU.

"Esta operação de grande escala será realizada em estreita colaboração com Irã, Omã, os demais Estados costeiros da região, os Estados Unidos e o setor marítimo", afirmou o secretário-geral da OMI, o panamenho Arsenio Domínguez. "Obtivemos as garantias de segurança necessárias e verificamos minuciosamente as condições para a navegação segura, a fim de apoiar essas operações."

O anúncio ocorre em meio à normalização do tráfego por Ormuz. A região registrou a passagem de ao menos 35 navios cargueiros nesta terça-feira, o maior volume diário desde o início da guerra no Oriente Médio, no fim de fevereiro, segundo dados da plataforma Kpler.

O movimento indica uma recuperação parcial da navegação em um dos corredores marítimos mais importantes do mundo para o transporte de petróleo e outras commodities, embora ainda distante dos níveis observados em períodos de estabilidade.

Tráfego ainda abaixo do normal

Em condições regulares, cerca de 120 embarcações atravessam diariamente o estreito, que conecta o Golfo Pérsico ao oceano aberto e concentra parte relevante do fluxo global de energia.

Durante a fase mais intensa do conflito, entre 1º de março e 14 de junho, o número caiu para menos de 10 navios por dia, refletindo o aumento da tensão geopolítica na região.

A partir de 15 de junho, o fluxo começou a reagir: a média subiu para 21 embarcações diárias e chegou a 27 nos cinco dias mais recentes, ainda segundo a Kpler.

Sinais de alívio após negociações

A melhora no tráfego ocorre na esteira de um memorando de entendimento anunciado entre Irã e Estados Unidos, que buscou reduzir a escalada de tensões no Oriente Médio.

Mesmo assim, o cenário segue instável. No sábado, autoridades iranianas anunciaram o fechamento do estreito em resposta a ataques israelenses no Líbano, aumentando as incertezas sobre a rota marítima.

Na sequência, EUA e Irã teriam chegado a um entendimento preliminar para conter os confrontos na região e garantir a segurança da navegação na área estratégica.

Disputa sobre o controle da passagem

O negociador-chefe iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que a gestão do Estreito de Ormuz “nunca mais será a mesma após a guerra”, segundo a agência oficial Irna.

Ele indicou ainda que o Irã terá papel central na administração da via marítima, o que levanta dúvidas sobre a eventual cobrança de taxas ou novas regras para embarcações comerciais que utilizam o corredor.

O Estreito de Ormuz é uma das rotas mais sensíveis do comércio global de energia, por onde passa uma parcela significativa das exportações mundiais de petróleo.

*Com informações da agência AFP

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