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Milei diz que as Malvinas 'são e sempre serão argentinas'

Fala ocorre após Reino Unido descartar negociação em meio a tensões com EUA; Argentina cobra diálogo bilateral

Javier Milei: fala do presidente argentino aconteceu após declarações do Reino Unido sobre a soberania das ilhas (Luis Robayo/AFP)

Javier Milei: fala do presidente argentino aconteceu após declarações do Reino Unido sobre a soberania das ilhas (Luis Robayo/AFP)

Publicado em 25 de abril de 2026 às 10h01.

O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a reforçar na sexta-feira, 24, a reivindicação de soberania sobre as Ilhas Malvinas — chamadas de Ilhas Falkland pelo Reino Unido —, território administrado pelos britânicos.

Em meio a tensões envolvendo também os Estados Unidos, o presidente declarou que “as Malvinas foram, são e sempre serão argentinas”.

A manifestação ocorreu após posicionamento do chanceler argentino, Pablo Quirno, que reiterou a defesa do país sobre o arquipélago e rejeitou o argumento britânico baseado no princípio de autodeterminação dos povos.

Segundo ele, “os atuais habitantes das Ilhas Malvinas não foram nunca reconhecidos como um ‘povo’ pelas Nações Unidas”.

Posição da Argentina

O governo argentino sustenta que não é aceitável que os moradores das ilhas atuem como árbitros de uma disputa territorial da qual fazem parte. Nesse contexto, também questiona a validade do referendo realizado em 2013, usado por autoridades britânicas para justificar sua permanência no território.

Quirno afirmou ainda que a Argentina reafirma seus direitos sobre as Malvinas, as ilhas Geórgias do Sul e Sandwich do Sul, além das áreas marítimas ao redor. Ele lembrou que a ocupação britânica em 1833 foi, segundo o governo argentino, “um ato de força contrário ao direito internacional da época”.

No campo jurídico, o chanceler destacou que a Assembleia Geral da ONU reconheceu a existência de uma disputa de soberania por meio da Resolução 2065 e instou os dois países a buscarem uma solução por negociações bilaterais — posição que, segundo ele, foi reiterada por organismos internacionais como a OEA, o Mercosul e a Celac.

O governo argentino também criticou atividades classificadas como ilegais de exploração de recursos naturais no arquipélago, citando projetos como o desenvolvimento do campo petrolífero “Sea Lion”, conduzido por empresas com licenças consideradas ilegítimas por Buenos Aires.

Reino Unido diz que soberania 'não está em questão'

As declarações ocorrem após o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmar que a soberania do Reino Unido sobre as Malvinas “não está em questão”, diante de relatos de que Washington poderia rever sua posição sobre o tema.

A reação britânica veio após o vazamento de um e-mail supostamente enviado em um sistema interno do Pentágono, que menciona possíveis medidas dos EUA contra aliados da OTAN que não se alinharam à guerra contra o Irã, incluindo Reino Unido e Espanha.

Antes da divulgação dessas informações, Milei já tinha afirmado que o governo argentino estava “fazendo todo o humanamente possível para que as Malvinas voltem às mãos da Argentina” e que buscava apoio internacional para o pleito.

Malvinas ou Ilhas Falkland?

A disputa pelas ilhas remonta a 1833, quando forças britânicas ocuparam o território. Em 1982, o arquipélago foi cenário de uma guerra entre Argentina e Reino Unido, encerrada com a rendição argentina. Desde então, Buenos Aires mantém o tema como prioridade em fóruns internacionais.

Segundo o governo argentino, a Assembleia Geral da ONU e o Comitê de Descolonização já instaram os dois países a negociar uma solução diversas vezes, sem avanços.

Ao longo dos anos, a Argentina afirma ter obtido apoio de blocos como a OEA, o G77 e a Celac, enquanto os Estados Unidos historicamente apoiam a posição britânica.

O Reino Unido, por sua vez, sustenta o direito à autodeterminação dos habitantes das ilhas, citando o referendo de 2013, no qual a maioria votou pela permanência como território ultramarino britânico — consulta considerada ilegal pelo governo argentino.

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