Estreito de Ormuz: rota é responsável por 20% da produção de petróleo no mundo. (Stringer/Reuters)
Repórter
Publicado em 22 de março de 2026 às 13h53.
Última atualização em 22 de março de 2026 às 13h54.
O Irã ameaçou neste domingo, 22, fechar o Estreito de Ormuz e atacar estruturas dos Estados Unidos e de aliados no Golfo, caso o presidente Donald Trump leve adiante a promessa de bombardear usinas de energia iranianas.
A escalada ocorre após um ultimato dado por Trump no sábado, 21. O presidente dos EUA exigiu a reabertura da rota marítima em até 48 horas e afirmou que poderá “atacar e destruir completamente” as usinas de energia do Irã, começando pela maior delas, se a exigência não for cumprida.
Em resposta, autoridades iranianas disseram que haverá retaliação imediata. O coronel Zulfiqari, porta-voz militar, declarou que o país pretende atingir a infraestrutura energética, petrolífera e tecnológica americana na região caso seja atacado.
“Se o inimigo danificar nossas usinas de energia, nada nos impedirá de continuar nossas operações para destruir a infraestrutura energética, petrolífera e industrial dos Estados Unidos e seus aliados na região.”
O governo iraniano também afirmou que fechará totalmente o Estreito de Ormuz em caso de ofensiva americana. Segundo o governo, a passagem só voltará a operar após a reconstrução das instalações de energia do país.
Militares ampliaram a lista de possíveis alvos. Entre eles estão empresas com acionistas americanos e usinas de países que abrigam bases dos EUA, consideradas “alvos legítimos”.
O comando operacional do exército iraniano reforçou que o bloqueio do estreito será completo se as ameaças forem executadas. A via marítima é responsável por cerca de 20% do petróleo consumido globalmente.
Apesar de já haver um bloqueio quase total da navegação, um número limitado de embarcações ainda consegue cruzar a rota, equivalente a cerca de 5% do volume anterior à guerra, segundo a consultoria Kpler.
A tensão no Oriente Médio já impacta o mercado de energia. Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, o preço do barril de petróleo Brent subiu de US$ 72,48 para US$ 112,19, alta superior a 50%.
Diante do cenário, países do G7 afirmaram estar prontos para agir para garantir o fornecimento global de energia. O grupo condenou as ações do Irã e reiterou apoio a aliados na região.
Além disso, uma coalizão de 22 países declarou intenção de proteger a navegação no Estreito de Ormuz. Entre eles estão nações europeias, Emirados Árabes Unidos e Bahrein.
*Com informações da AFP