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Trump adverte o Irã para não cobrar taxas pelos navios que atravessam o Estreito de Ormuz

O presidente americano também reiterou que, se não fosse o seu envolvimento no cenário político do Oriente Médio, Teerã já teria desenvolvido armas nucleares

Estreito de Ormuz: rota considerada estratégica para o transporte global de petróleo e gás (Stringer/Reuters)

Estreito de Ormuz: rota considerada estratégica para o transporte global de petróleo e gás (Stringer/Reuters)

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 9 de abril de 2026 às 18h57.

Última atualização em 9 de abril de 2026 às 19h01.

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alertou nesta quinta-feira, 9, que o Irã não deve impor tarifas a embarcações que transitam pelo Estreito de Ormuz, em meio à retomada parcial da navegação após acordo de cessar-fogo.

“Há relatos de que o Irã está cobrando taxas de petroleiros que atravessam o Estreito de Ormuz”, escreveu em uma publicação na rede social Truth Social. “É melhor que não estejam fazendo isso e, se estiverem, é melhor que parem agora!”

A manifestação indica resistência dos Estados Unidos a qualquer iniciativa iraniana de cobrar pedágio no Estreito de Ormuz, rota considerada estratégica para o transporte global de petróleo e gás. O Irã sinalizou anteriormente que poderia utilizar essas taxas para financiar a reconstrução do país após o conflito.

Disputa de poder

No início da semana, Donald Trump afirmou a jornalistas que avaliava a possibilidade de os próprios Estados Unidos cobrarem pela passagem na região. “Prefiro fazer isso a deixar que eles cobrem”, disse. “Por que não faríamos? Nós somos os vencedores. Nós vencemos, ok?”

Estados Unidos e Irã anunciaram um cessar-fogo de duas semanas e iniciam negociações diretas no Paquistão neste fim de semana. O controle do Estreito de Ormuz segue como um dos principais pontos de tensão nas tratativas.

A cobrança de taxas em rotas marítimas internacionais é, em geral, considerada incompatível com normas do direito marítimo, que garantem a livre navegação em vias estratégicas. Apesar disso, o Irã já havia indicado a possibilidade de avançar com a medida.

Em comunicado divulgado no Telegram, o líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, afirmou que o país pretende elevar o nível de controle sobre o Estreito de Ormuz.

O corredor marítimo concentra cerca de um quinto do fluxo global de petróleo e gás natural liquefeito. A via foi fechada pelo Irã após ataques conduzidos por Estados Unidos e Israel.

Atualmente, mais de 800 navios cargueiros permanecem retidos no Golfo Pérsico, à espera de autorização para deixar a região. Empresas de navegação e seguradoras indicam necessidade de maior clareza sobre as condições de segurança.

Dados de rastreamento apontam que apenas três embarcações deixaram a área na quarta-feira, 8, número abaixo da média diária de cerca de 135 navios em períodos considerados normais, informou a Bloomberg.

Declaração de 'vitória prematura'

Donald Trump: presidente dos Estados Unidos. (Kent Nishimura / AFP) (Kent Nishimura/AFP)

Após as críticas ao regime iraniano, o presidente Donald Trump fez uma nova publicação no Truth Social repudiando uma publicação do jornal norte-americano Wall Street Journal, que afirmou que o republicano manifestou "vitória prematura" diante do conflito no Oriente Médio.

No texto, o presidente lançou ofensas contra o veículo de imprensa. "O Wall Street Journal, um dos piores e mais imprecisos "conselhos editoriais" do mundo, afirmou que eu "declarei vitória prematura no Irã". Na verdade, é uma vitória, e não há nada de "prematura" nisso!"

Ele também ressaltou que, se não fosse seu envolvimento no cenário político da região, o Irã já teria desenvolvido uma arma nuclear. E espera por mudanças positivas no preço do petróleo.

"Graças a mim, o Irã jamais terá uma arma nuclear e, muito em breve, vocês verão o petróleo começar a fluir, com ou sem a ajuda do Irã e, para mim, tanto faz. O Wall Street Journal, como sempre, terá que engolir suas palavras. Eles são sempre rápidos em criticar, mas nunca em admitir quando estão errados, o que acontece na maioria das vezes!"

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