Trump: Presidente dos EUA perguntou a Xi Jinping se a China teria interesse em comprar armas americanas. (SAUL LOEB/AFP)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 28 de setembro de 2026 às 10h12.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, perguntou ao líder chinês, Xi Jinping, se a China teria interesse em comprar armas americanas, segundo David Perdue, embaixador dos Estados Unidos em Pequim. A declaração foi dada no domingo, 27, ao programa Fox News Sunday, poucos dias depois da visita de Estado de Xi a Washington.
“Trump continua dizendo: ‘Nós vendemos armas para outras pessoas ao redor do mundo’. Ele, em determinado momento, perguntou ao presidente Xi se ele gostaria de comprar algumas”, afirmou Perdue. O embaixador não disse quando a pergunta foi feita.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Guo Jiakun, não confirmou a fala nesta segunda-feira, 28. Em uma coletiva de imprensa, disse que a China “sempre fortaleceu suas capacidades de defesa nacional com base em suas necessidades” e que mantém o compromisso com a paz e a estabilidade.
Uma compra chinesa de armamentos americanos chamaria atenção também por outro motivo: a China tem uma longa história de aquisição de equipamentos militares russos, embora tenha reduzido fortemente sua dependência de importações nos últimos anos.
Segundo dados do Instituto Internacional de Estudos para a Paz de Estocolmo (SIPRI), a Rússia respondeu por 77% das importações chinesas de grandes armamentos entre 2000 e 2025.
O SIPRI usa o chamado TIV (Trend-Indicator Value) para medir a dimensão das transferências internacionais de grandes armamentos. A unidade é baseada nos custos de produção de um conjunto de armas e não representa o valor financeiro efetivamente pago pelos países.
A predominância russa foi especialmente forte durante boa parte do período. Apesar de Moscou manter seu posto como maior exportador militar à China, a dependência chinesa de fornecedores estrangeiros diminuiu de forma acentuada nos últimos anos, à medida que Pequim ampliou sua capacidade própria de desenvolvimento e produção de armamentos.
Entre 2020 e 2024, as importações chinesas de grandes armamentos caíram 64% em comparação com o período de 2015 a 2019, segundo dados do SIPRI. A queda foi suficiente para tirar a China, pela primeira vez desde 1990-94, da lista dos dez maiores importadores mundiais no período de 2020 a 2024.
A trajetória das compras chinesas também ganha relevância diante da relação entre Moscou e Washington. A Rússia está submetida a diversos programas de sanções dos Estados Unidos relacionados tanto às atividades russas consideradas prejudiciais comercialmente quanto à guerra na Ucrânia. Diversas dessas penalidades também são aplicadas a parceiros comerciais do Kremlin, como a China.
Uma eventual compra de armas americanas pela China teria um significado diferente das tradicionais importações chinesas porque Washington e Pequim são rivais estratégicos — e os Estados Unidos são justamente o principal fornecedor militar de Taiwan.
A legislação americana estabelece o fornecimento de meios para que Taiwan possa se defender, embora Washington não reconheça a ilha como um país independente. Pequim considera Taiwan parte de seu território e exige o fim das vendas americanas de armas ao governo da ilha.
Durante um encontro anterior entre Trump e Xi, em maio, a questão já havia sido levantada. Depois daquela reunião, os Estados Unidos suspenderam uma venda de US$ 14 bilhões em armamentos para Taiwan. Trump chegou a classificar as vendas como uma “muito boa moeda de negociação” com Pequim.