Anthropic: despesas com capacidade computacional e infraestrutura chegaram a US$ 7,33 bilhões em 2025 (NurPhoto / Colaborador/Getty Images)
Repórter
Publicado em 29 de setembro de 2026 às 07h20.
Última atualização em 29 de setembro de 2026 às 07h48.
A Anthropic pode ser avaliada em mais de US$ 2 trilhões em sua abertura de capital, segundo a Reuters. A estreia na bolsa provavelmente ficará para depois das eleições de meio de mandato de novembro nos Estados Unidos. A desenvolvedora do Claude registrou prejuízo líquido de quase US$ 42 bilhões em 2025, apesar de ter multiplicado a receita por 12, para quase US$ 4,6 bilhões.
A empresa de tecnologia Anthropic pode ser avaliada em mais de US$ 2 trilhões em sua abertura de capital, segundo a agência Reuters, que teve acesso exclusivo ao prospecto do IPO da empresa.
O documento mostra que a desenvolvedora do Claude registrou prejuízo líquido de quase US$ 42 bilhões em 2025, apesar de o faturamento ter aumentado 12 vezes, para quase US$ 4,6 bilhões.
No mesmo período, a companhia teve prejuízo operacional superior a US$ 8 bilhões, sem considerar baixas contábeis de passivos ligados principalmente a captações anteriores.
Dos quase US$ 42 bilhões de prejuízo líquido registrados em 2025, cerca de US$ 34 bilhões vieram de um ajuste contábil. A empresa precisou registrar o aumento do valor estimado de financiamentos que poderão ser convertidos em suas ações. Essa parcela do prejuízo não corresponde a dinheiro gasto para manter as operações.
A Anthropic, porém, também gastou mais para desenvolver inteligência artificial. As despesas com capacidade computacional e infraestrutura chegaram a US$ 7,33 bilhões em 2025, o triplo do registrado em 2024. O valor representou mais da metade das despesas operacionais totais, de US$ 12,65 bilhões.
Ao fim de 2025, a empresa tinha US$ 20,28 bilhões em caixa e aplicações financeiras de curto prazo, segundo o prospecto.
Nos próximos anos, a dona do Claude prevê gastar US$ 518 bilhões para cumprir obrigações relacionadas a serviços de nuvem, computação e infraestrutura.
A estreia da Anthropic na bolsa deve ficar para depois das eleições legislativas de novembro nos Estados Unidos, segundo a Reuters. A possível avaliação acima de US$ 2 trilhões representa mais que o dobro dos US$ 965 bilhões estimados pela própria empresa em maio.
O prospecto também aponta riscos para o crescimento: quase um quarto da receita de 2025 veio de apenas dois clientes. A Anthropic alerta que muitos de seus maiores clientes não têm contratos de longo prazo e podem reduzir ou interromper os gastos.
A Anthropic alerta aos potenciais investidores que sistemas avançados de inteligência artificial podem causar danos catastróficos ou representar riscos existenciais para a humanidade. Segundo a Reuters, o prospecto aponta a possibilidade de modelos apresentarem comportamentos de autopreservação, como tentar resistir ao desligamento, ocultar ou manipular informações e agir de forma semelhante a uma chantagem. O documento trata esses comportamentos como riscos possíveis, não como ocorrências comprovadas fora de testes.
A empresa também reconhece uma dificuldade para avaliar a segurança dos modelos: eles podem perceber que estão sendo testados e mudar seu comportamento. Além disso, capacidades inesperadas podem surgir durante o treinamento e só ser identificadas depois da disponibilização dos sistemas. Dos 261 páginas do corpo principal do prospecto, cerca de 80 são dedicadas a fatores de risco, ante 48 sobre os negócios da companhia, segundo a agência.
O documento afirma ainda que os esforços de segurança exigem muitos recursos, enquanto a Anthropic precisa dividir seus investimentos entre essa área, capacidade computacional e profissionais especializados. A empresa não informou no prospecto quanto gasta com pesquisas de segurança nem se esses investimentos trarão retorno financeiro.
Há pouco mais de duas semanas, o CEO da Anthropic, Dario Amodei, defendeu que as empresas reduzam o ritmo de desenvolvimento dos modelos de IA para ganhar tempo na prevenção desses riscos. Apesar do alerta, a companhia lançou uma nova versão do modelo Opus na semana passada.
Cerca de US$ 34 bilhões do prejuízo líquido da Anthropic correspondem a um ajuste contábil relacionado à valorização de instrumentos de financiamento que poderão ser convertidos em ações. O valor não representa dinheiro gasto na operação da empresa.
A Anthropic faturou quase US$ 4,6 bilhões em 2025, valor 12 vezes maior que o registrado no ano anterior. Apesar do crescimento da receita, a empresa teve prejuízo operacional superior a US$ 8 bilhões, sem considerar determinados ajustes contábeis.
A Anthropic gastou US$ 7,33 bilhões com capacidade computacional e infraestrutura em 2025, três vezes mais que em 2024. O montante representou mais da metade das despesas operacionais totais de US$ 12,65 bilhões.
Segundo o prospecto, a Anthropic planeja gastar US$ 518 bilhões nos próximos anos para cumprir obrigações relacionadas a serviços de nuvem, computação e infraestrutura.
O IPO da Anthropic deve ocorrer depois das eleições legislativas de novembro nos Estados Unidos, segundo fontes ouvidas anteriormente pela Reuters. A possível avaliação acima de US$ 2 trilhões supera o dobro dos US$ 965 bilhões estimados pela empresa em maio.
Segundo o prospecto, quase um quarto da receita da Anthropic em 2025 veio de apenas dois clientes. A empresa alerta que muitos de seus maiores clientes não possuem contratos de longo prazo e podem reduzir ou interromper os gastos.