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Irã diz à ONU que todas as bases dos EUA e de Israel são alvos legítimos

Ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, enviou uma carta ao secretário-geral das Nações Unidas

Abbas Araghchi: ministro das Relações Exteriores do Irã (OZAN KOSE/AFP)

Abbas Araghchi: ministro das Relações Exteriores do Irã (OZAN KOSE/AFP)

Publicado em 28 de fevereiro de 2026 às 13h57.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, enviou uma carta ao secretário-geral das Nações Unidas e ao presidente do Conselho de Segurança da ONU, informou a agência estatal IRIB neste sábado, 28.

Segundo a emissora, a carta afirma que o Irã continuará a exercer seu direito de autodefesa “de forma decisiva e sem demora” até que a agressão seja interrompida “completa e incondicionalmente”.

No documento, Araghchi sustenta que os ataques aéreos realizados pelos Estados Unidos e por Israel representam uma violação clara do Artigo 2º, Parágrafo 4º, da Carta da ONU, configurando um ato de agressão armada contra a República Islâmica do Irã.

Em resposta, o governo iraniano afirma estar exercendo seu “direito inerente e legítimo de autodefesa”, com base no Artigo 51 da Carta das Nações Unidas.

A carta acrescenta que as Forças Armadas do Irã utilizarão “todas as capacidades e recursos defensivos necessários” para enfrentar o que classificou como “agressão criminosa” e dissuadir novas ações hostis.

Diante disso, o Irã declara que todas as bases, instalações e ativos das forças consideradas hostis na região serão tratados como “alvos militares legítimos”, no âmbito do exercício de seu direito de autodefesa, até que a agressão seja totalmente cessada.

EUA e Irã

Os Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o Irã neste sábado após o fracasso de negociações diplomáticas e em meio à repressão violenta a protestos no país.

A ofensiva ocorre após semanas de conversas entre Washington e Teerã para tentar fechar um acordo que limitasse ou encerrasse o programa nuclear iraniano. As tratativas, porém, não avançaram.

Em vídeo publicado na rede Truth Social, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a ação tem como objetivo “defender o povo americano”.

Israel informou ter identificado o lançamento de mísseis iranianos em direção ao seu território e declarou que sua força aérea foi mobilizada para interceptar os projéteis.

Segundo as Forças de Defesa de Israel, sirenes de alerta soaram em diversas cidades, e a população foi orientada a “seguir as instruções do comando militar” e permanecer em áreas protegidas.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que forças israelenses e norte-americanas realizaram um ataque coordenado para “eliminar a ameaça existencial que o regime terrorista iraniano representa”. No comunicado, agradeceu ao “grande amigo Donald Trump” pela “liderança forte”.

Em resposta, o regime iraniano lançou uma onda de ataques em todo o Oriente Médio. Bases americanas nos Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein e Kuwait foram atingidas. O Irã também disparou dezenas de drones contra Israel como forma de contra-ataque.

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