Repórter
Publicado em 11 de julho de 2026 às 10h58.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, desembarcou em Omã neste sábado para tratar de iniciativas voltadas à garantia da navegação no Estreito de Ormuz, informou a imprensa estatal iraniana. A viagem ocorre enquanto os Estados Unidos buscam um compromisso público de Teerã em favor da livre circulação de embarcações pela região.
Na sexta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que Washington e Teerã concordaram em dar continuidade às negociações, apesar da intensificação das tensões ao longo da semana. Na mesma declaração, o republicano disse que o cessar-fogo entre os dois países havia chegado ao fim. Mesmo assim, não houve registro de novos ataques entre sexta-feira e a manhã de sábado, informou a Reuters.
Segundo a agência semioficial Tasnim, Araqchi chegou a Omã, país que atua como mediador nas tentativas de encerrar o conflito. A guerra elevou a instabilidade no Golfo e provocou impacto nos preços internacionais desde que Estados Unidos e Israel realizaram ataques aéreos contra o Irã em 28 de fevereiro.
A CBS News e a BBC informaram que o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, o secretário de Estado, Marco Rubio, o enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner, genro de Trump, devem representar Washington nas conversas com Araqchi neste sábado.
A Reuters, no entanto, não conseguiu confirmar as informações de forma independente. As reportagens também não esclareciam se os representantes participariam presencialmente em Omã ou por videoconferência. Horas depois, a agência iraniana Fars divulgou, com base em uma fonte, que nenhuma negociação seria realizada enquanto os Estados Unidos não alterassem sua posição.
Araqchi afirmou que os Estados Unidos descumpriram o acordo de cessar-fogo ao revogarem, na terça-feira, a licença que autorizava a comercialização de petróleo bruto iraniano, decisão anunciada após ataques contra embarcações.
"Só pode haver cumprimento mútuo", escreveu o ministro na rede social X.
No início da semana, três navios-tanque comerciais do Catar e da Arábia Saudita foram alvo de disparos. Em resposta, os Estados Unidos atacaram instalações iranianas, enquanto o Irã lançou ofensivas contra bases militares americanas localizadas em países do Golfo.
Embora Teerã não tenha assumido responsabilidade pelos ataques às embarcações, analistas avaliam que esse tipo de ação costuma ser utilizado pelo governo iraniano para ampliar sua margem de negociação. Ainda na sexta-feira, autoridades americanas disseram que representantes iranianos informaram aos EUA que os ataques decorreram de uma "falha em seu sistema", em uma tentativa de reduzir a tensão.
A escalada do conflito aumentou a incerteza sobre o futuro do acordo provisório firmado anteriormente para interromper os confrontos e também impulsionou os preços do petróleo, tema considerado sensível para Trump antes das eleições legislativas de novembro.
Em publicação na Truth Social, o presidente americano escreveu:
"A República Islâmica do Irã nos pediu para continuar as 'conversas'. Concordamos em fazê-lo, mas os Estados Unidos deixaram claro para eles, sem rodeios, que o cessar-fogo ACABOU!"
O governo iraniano contestou essa versão. Segundo a televisão estatal, Teerã não solicitou negociações diretas com Washington, mas aceitou receber um mediador do Catar. Na sexta-feira, representantes catarianos se reuniram com autoridades iranianas para discutir formas de reduzir as tensões e tratar da situação no Estreito de Ormuz, informou à Reuters uma fonte com conhecimento das conversas.
Trump também declarou que ordenou às Forças Armadas dos Estados Unidos que se preparassem para atacar o Irã caso houvesse qualquer tentativa de atentado contra sua vida.
"Mil mísseis estão prontos para o disparo e apontados para a República Islâmica do Irã, com milhares de outros a seguir imediatamente, caso o governo iraniano concretize sua ameaça — proclamada em várias partes do mundo — de assassinar, ou tentar assassinar, o atual presidente dos Estados Unidos da América; neste caso, EU!", publicou.
Nesta semana, o Wall Street Journal e outros veículos americanos informaram que Israel compartilhou com Washington relatórios de inteligência indicando que o Irã teria elaborado recentemente um plano para assassinar Trump.
Até o momento, o governo iraniano não comentou as declarações mais recentes do presidente dos Estados Unidos.
Durante o funeral do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, morto na quinta-feira, uma multidão participou das cerimônias. Entre os presentes, algumas faixas exibiam a frase: "Mataremos Trump". Khamenei morreu em um ataque aéreo realizado no primeiro dia da guerra.
Autoridades americanas afirmaram na sexta-feira que exigem uma declaração pública do Irã comprometendo-se a interromper ataques contra embarcações e garantir a livre navegação no Estreito de Ormuz, sem cobrança de pedágios. Antes do conflito, a rota concentrava cerca de um quinto do transporte mundial de petróleo.
Ao longo da guerra, Teerã passou a exercer amplo controle sobre a passagem marítima, ampliando o impasse com os Estados Unidos.
Segundo o Ministério da Saúde iraniano, ataques americanos realizados na quarta e na quinta-feira contra seis cidades deixaram ao menos 17 mortos e 115 feridos.
Apesar dos confrontos, integrantes do governo dos Estados Unidos afirmaram que os contatos diplomáticos entre os dois países evoluíram de forma considerada produtiva nos últimos dias.
Já o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã declarou, segundo a imprensa estatal, que qualquer violação dos compromissos assumidos por Washington terá uma "ação recíproca" como resposta.
O acordo provisório firmado no mês passado tinha como objetivo abrir caminho para o encerramento do conflito, que segue em andamento.