Economia

Guerra no Irã deve provocar primeira queda da demanda por petróleo desde 2020, diz IEA

Agência Internacional de Energia estima retração de 1 milhão de barris por dia em 2026 e alerta que recuperação do mercado depende da reabertura do Estreito de Ormuz

Estreito de Ormuz: via por onde são escoados 20% do petróleo trouxe volatilidade à cotação do Brent (Marwan Naamani/AFP/Getty Images)

Estreito de Ormuz: via por onde são escoados 20% do petróleo trouxe volatilidade à cotação do Brent (Marwan Naamani/AFP/Getty Images)

Publicado em 10 de julho de 2026 às 06h37.

Última atualização em 10 de julho de 2026 às 06h41.

A demanda global por petróleo deve registrar sua primeira queda anual desde 2020, no auge da pandemia de Covid-19, segundo relatório divulgado nesta sexta-feira, 10, pela Agência Internacional de Energia (IEA).

A projeção é de retração de 1 milhão de barris por dia em 2026 na comparação com o ano anterior.

De acordo com a agência, o principal fator para a contração é o impacto da guerra envolvendo o Irã sobre a produção e as exportações de petróleo no Oriente Médio.

A IEA afirma que a queda na demanda está "fortemente concentrada em termos de produtos e regiões" devido ao fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte de petróleo e gás.

Segundo o relatório, a previsão considera um cenário de cessar-fogo e de reabertura gradual do estreito. No entanto, a agência alerta que essa perspectiva se tornou mais incerta após a retomada das hostilidades entre Estados Unidos e Irã nesta semana, o que voltou a reduzir o tráfego de embarcações na região.

IEA faz alerta

Apesar do cenário atual, a agência afirma que uma recuperação já está em andamento. Ainda assim, ressalta que uma nova escalada do conflito pode dificultar a normalização do mercado.

No relatório, a IEA afirma que o mercado global tende a voltar a registrar superávit no fim deste ano, desde que o fluxo de navios petroleiros pelo Estreito de Ormuz seja restabelecido gradualmente. Esse movimento permitiria que produtores retomassem operações e refinarias no Oriente Médio e em outras regiões voltassem a embarcar derivados.

A agência também destacou que os novos confrontos registrados nesta semana reforçam os riscos de não haver um acordo de paz duradouro, considerado essencial para a estabilização do mercado de petróleo.

Após a divulgação do relatório, os preços do petróleo operaram em leve queda nesta manhã. O contrato do Brent para setembro recuava para US$ 76,25 por barril, enquanto o petróleo WTI dos Estados Unidos permanecia praticamente estável, em US$ 72,09 por barril.

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