Em comunicado, o Exército tailandês afirmou que não houve uso da força (Luis Ascui/Getty Images)
Redação Exame
Publicado em 2 de janeiro de 2026 às 20h23.
O Camboja acusou nesta sexta-feira (2) a Tailândia de assumir o controle de uma vila na região de fronteira entre os dois países e de “anexar” o território, mesmo após a trégua firmada para encerrar confrontos armados recentes no Sudeste Asiático.
A disputa envolve um trecho de cerca de 800 quilômetros da fronteira comum, cujo traçado foi definido durante o período colonial francês e é contestado há décadas. No ano passado, o desacordo voltou a provocar confrontos militares em diferentes pontos da região.
Os combates registrados em dezembro deixaram dezenas de mortos e causaram o deslocamento de quase um milhão de pessoas nos dois lados da fronteira. Em 27 de dezembro, os dois países assinaram um acordo de cessar-fogo, comprometendo-se a congelar movimentações de tropas e a encerrar os confrontos, que haviam se espalhado por quase todas as províncias fronteiriças.
Segundo o ministro cambojano da Informação, Neth Pheaktra, o Exército tailandês iniciou uma “anexação ilegal” de territórios do Camboja, incluindo a vila de Chouk Chey.
Ele afirmou que forças tailandesas danificaram edificações civis, instalaram arame farpado e contêineres para formar uma espécie de cerca fronteiriça e passaram a administrar as áreas disputadas.
Para o ministro, a imposição unilateral de soberania também ficou evidente com o hasteamento da bandeira nacional da Tailândia no local.
A Tailândia nega as acusações. Em comunicado, o Exército tailandês afirmou que não houve uso da força para se apoderar de territórios cambojanos e sustentou que as áreas sob seu controle sempre fizeram parte do território tailandês.
Segundo Bangkok, os locais em questão — que não foram especificados — seriam áreas onde forças cambojanas haviam mobilizado tropas e onde civis do Camboja se estabeleceram, o que, na visão tailandesa, caracterizaria violação de sua soberania.