Marketing

Rumo aos 4 milhões de clientes, Nomad mais que dobra base em dois anos

No Marketing Trends, diretora de marketing revela como expansão do portfólio, integração entre marca e performance e investimento em conteúdo impulsionaram crescimento da fintech

Thaís Souza Nicolau, diretora de marketing da Nomad (Leandro Fonseca)

Thaís Souza Nicolau, diretora de marketing da Nomad (Leandro Fonseca)

Juliana Pio
Juliana Pio

Editora-assistente de Marketing e Projetos Especiais

Publicado em 28 de janeiro de 2026 às 09h22.

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A Nomad acelerou seu crescimento ao colocar o marketing no centro da estratégia de expansão do negócio, em um movimento que combinou reposicionamento de marca, ampliação de portfólio e maior integração entre branding e performance. Em dois anos, a base de clientes ativos saltou de cerca de 1,3 milhão para 3,5 milhões, em um mercado mais competitivo e marcado por paridade funcional entre bancos e fintechs.

A virada ocorreu à medida que a empresa deixou de se apresentar apenas como um cartão de débito para viagens internacionais e passou a se posicionar como uma plataforma para a gestão da vida financeira fora do Brasil. “A força da marca é quando a gente mostra esse ecossistema inteiro, e não quando fala só de um ponto específico”, diz Thaís Souza Nicolau, à frente do marketing da Nomad há dois anos.

Criada há cinco anos, a fintech nasceu com a proposta de reduzir fricções no uso de dinheiro no exterior, em um contexto em que viagens internacionais ainda dependiam de papel-moeda e múltiplas conversões. “A gente viajava com dinheiro, com doleira, com um monte de taxa embutida”, lembra a executiva.

Segundo ela, a Nomad foi uma das primeiras a lançar um cartão de débito internacional integrado a uma conta em dólar. Com o tempo, o produto evoluiu para incluir investimentos no exterior, serviços financeiros para quem recebe renda em outra moeda e um conjunto de benefícios ligados à jornada de viagem.

Hoje, ao abrir uma conta, o cliente passa a ter acesso a uma plataforma investimentos no exterior, com custódia em instituição parceira nos Estados Unidos. “Você tem acesso a ativos que não estão disponíveis aqui, tudo no nome da pessoa e vinculado ao CPF”, afirma Nicolau. A oferta responde à demanda por diversificação patrimonial. “Ter 100% do dinheiro na mesma cesta é ruim.”

A virada do marketing

O crescimento do portfólio ampliou também a ambição do marketing. Até 2023, a comunicação era quase totalmente concentrada no uso da conta para viagens. A partir de 2024, a empresa passou a estruturar mensagens institucionais e campanhas voltadas também a investimentos no exterior. “Começamos a falar dessa frente depois de robustecer o produto e aumentar a estrutura. Hoje temos um time grande dedicado a isso”, conta a diretora.

Esse movimento ganhou escala com uma campanha de marca lançada em 2024 e estrelada por Will Smith, que marcou um divisor de águas na estratégia. A ação teve investimento quatro vezes maior do que campanhas anteriores e foi pensada para ampliar notoriedade e confiança em um momento em que a Nomad buscava atrair clientes com uso recorrente, ligados a aportes mensais, e não apenas a viagens pontuais.

O objetivo central da campanha era “furar a bolha” em um ambiente dominado por algoritmos e segmentação extrema. Para isso, a empresa apostou em mídia de massa, presença em out of home e no uso da celebridade internacional, aliando o conceito criativo ao uso de inteligência artificial. “Não queria usar uma celebridade só por usar. O conceito precisava fazer sentido para a marca”, diz Nicolau. Segundo ela, a IA dialogava com a ideia de fluência em dólar e em diferentes idiomas, elementos centrais da proposta da marca.

Integração entre marca a perfomance

Do ponto de vista de negócio, o impacto foi mensurável. A campanha impulsionou a abertura de contas, especialmente de investimentos, e reduziu o custo de aquisição. “Depois da campanha, a gente teve uma redução de mais de 20% no CAC”, afirma. Para a executiva, o caso reforça uma tese que contraria a lógica predominante em startups. “Existe muito a mentalidade de conversão. Quando você constrói marca desde o começo, a aquisição e a conversão ficam melhores depois.”

A integração entre marca e performance se reflete na forma como a Nomad avalia suas campanhas de marca. Segundo a diretora de marketing, mesmo ações institucionais são acompanhadas por indicadores específicos. “Teve campanha de marca que não gerou novas contas, mas aumentou em cerca de 16% o volume de remessas feitas por clientes já ativos. A gente consegue entender qual campanha trouxe mais dinheiro de clientes recorrentes e qual foi mais voltada para aquisição”, diz.

Foco em influência e conteúdo

A estratégia de aquisição segue apoiada em múltiplos canais, com destaque para influenciadores. A fintech mantém uma rede de mais de 300 parceiros por mês em um modelo de afiliados. “Esse canal nasceu no boca a boca e segue sendo relevante até hoje”, diz Nicolau. Há uma divisão entre influenciadores voltados à conversão, em geral perfis médios, e aqueles usados para branding, com nomes maiores e mais aspiracionais.

No conteúdo proprietário, o YouTube se tornou um dos principais ativos de marketing. O canal da empresa ultrapassou 1 milhão de inscritos no fim do ano passado e nasceu com foco em investimentos no exterior. Agora, passa por uma reformulação que amplia o escopo para temas de viagem e planejamento financeiro, em resposta às mudanças na lógica de busca e distribuição de conteúdo.

“A gente está saindo de uma lógica só de palavra-chave para um conteúdo de valor”, diz Nicolau. A estratégia inclui ferramentas que simulam o custo total de viagens e séries produzidas com influenciadores em cidades como Londres e Porto, com foco em responder dúvidas práticas do usuário e aumentar o tempo de permanência e a recorrência no canal.

O investimento em conteúdo também teve efeito sobre o funil. A parcela de clientes que investem por meio da plataforma saiu de cerca de 2% em 2023 para quase 20% atualmente. “O YouTube é uma das principais formas de levar esse educacional para as pessoas”, afirma.

Rumos aos 4 milhões de clientes

Para 2026, o principal desafio é manter a consistência da marca em meio à expansão do portfólio. A empresa testa diferentes combinações de investimento entre aquisição e construção de marca, com variações que vão de maior peso em performance a um equilíbrio mais próximo entre as duas frentes. “Não existe resposta única. A estratégia é testar e acompanhar o impacto ao longo do ano”, diz Nicolau.

Com a base próxima de 4 milhões de clientes, a Nomad aposta no marketing como vetor de crescimento institucional e como ferramenta para sustentar confiança em um setor regulado e competitivo. “A pior coisa é gastar dinheiro numa campanha e não falarem da sua marca”, afirma a executiva. “Quero ser a marca mais lembrada, mesmo sem ter o maior orçamento do mercado.”

Assista abaixo à entrevista completa

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Sobre o Marketing Trends

O Marketing Trends é o videocast da EXAME dedicado a discutir os principais movimentos do marketing, da publicidade e da creator economy, em linha com o posicionamento da marca como uma mediatech focada em informação e formação de lideranças.

Apresentado por Juliana Pio, editora assistente de marketing, o programa reúne CMOs, executivos dos setores e personalidades para conversas sobre estratégia, negócios, comunicação e consumo. Os episódios são publicados semanalmente, às quartas-feiras, às 9h, no YouTube (@exame). Confira outros episódios:

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