Marketing

Publicidade infantil pode ser proibida no Brasil

Congresso Nacional retomou as discussões do Projeto de Lei 5921/01, gerando controvérsias no mercado

Para o Instituto Alana, crianças de até 12 anos não teriam capacidade de identificar uma propaganda (Divulgação/stock.xchng)

Para o Instituto Alana, crianças de até 12 anos não teriam capacidade de identificar uma propaganda (Divulgação/stock.xchng)

DR

Da Redação

Publicado em 17 de junho de 2011 às 18h26.

São Paulo - O Congresso Nacional voltou a discutir a proibição da publicidade de produtos e serviços para o público infantil, sob a forma do Projeto de Lei 5921/01.

Criada pelo deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR) em 2001, a proposta havia sido arquivada no ano passado, quando Hauly aceitou assumir a Secretaria da Fazenda do Paraná. Desarquivado em fevereiro deste ano, o projeto segue em tramitação na Comissão de Ciência e Tecnologia.

O projeto gera controvérsias em diversos setores ligados à publicidade, além de fabricantes de produtos infantis, para quem o papel de observar e controlar a publicidade infantil já é representado hoje pelo Conar - Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária.

Para a Abap - Associação Brasileira das Agências de Publicidade - a proteção da criança deve ser objeto de um debate global permanente, sendo principalmente de responsabilidade familiar e das instituições de ensino. O órgão julga que a decisão de compra de um produto cabe aos pais, e não se pode contextualizar a publicidade como uma vilã.

Já para o Instituto Alana, a propaganda, quando voltada para o público infantil, transforma as crianças em promotores de venda. Segundo a organização, crianças de até 12 anos não teriam capacidade de identificar o "poder de convencimento" apresentado em uma propaganda.

Isabella Henriques, coordenadora do Projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana, lembra que diversos países regulam a publicidade voltada para crianças. Isabella cita ainda o publicitário Alex Bogusky, ex-líder de criação da Crispin, Porter + Bogusky, que no ano passado reconheceu essa fragilidade da infância diante de ações de marketing e repudiou publicamente o direcionamento de campanhas ao público infantil em seu blog (em inglês).

Hoje três países proíbem a publicidade infantil: Noruega, Suécia e a província de Quebec, no Canadá. Nesses lugares, qualquer peça publicitária deve ser dirigida aos pais.

Acompanhe tudo sobre:CriançasLegislaçãoPublicidadeestrategias-de-marketing

Mais de Marketing

CMO do Magalu explica como WhatsApp da Lu se tornou um case premiado em Cannes

Em Cannes, tênis da Adidas para atletas com Síndrome de Down reforça real papel da criatividade

De vilã a parceira criativa em Cannes: o desafio agora é fazer a conta da IA fechar

No Cannes Lions 2026, pulseiras viram símbolo de status, networking e acesso exclusivo