Onde investir: pode ser a última vez que a Selic no patamar dos 15% (Getty Images)
Repórter de finanças
Publicado em 10 de dezembro de 2025 às 18h49.
O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa de juros a 15% ao ano — é o maior juro da história em quase 20 anos. Entretanto, pode ser que em breve tudo mude. O mercado já projeta cortes entre janeiro e março de 2026 e, segundo o último Boletim Focus, a Selic pode encerrar o ano que vem em 12,25%. Sendo assim, a reunião de hoje do Copom pode ter sido a último em que a taxa foi mantida em 15%.
Nesse momento, o que fazer com os investimentos: títulos prefixados, Bolsa, CDBs, caixinhas, ETFs? A resposta está na diversificação — uma carteira equilibrada, que mescle diferentes tipos de ativos da renda fixa e renda variável, incluindo dolarização, é a chave para uma boa carteira, apontam especialistas ouvidos pela EXAME.
“Eu manteria a maior parte em renda fixa, combinando pós-fixados para capturar os 15% e preservar liquidez — mais prefixados e inflação para se posicionar para a queda dos juros. Uma parcela menor em renda variável local e internacional também é o ideal para aproveitar o ciclo econômico mais adiante”, diz Fernando Gonçalves, especialista em investimentos e sócio da The Hill Capital.
Ao projetar que os juros vão cair, uma boa opção agora são os títulos prefixados. Em uma rápida busca nas corretoras, é possível encontrar ativos que paguem 14,93% em uma taxa fixa. Por um lado, travar o rendimento é positivo caso os juros caiam mesmo. Por outro, se todo o cenário mudar e os juros subirem, a escolha pode não ter sido tão boa — apesar das projeções indicarem a queda.
Ativos prefixados também têm um porém: caso a pessoa queira vender o título antes do prazo, pode acabar recebendo menos do que investiu. Isso porque o preço do papel oscila diariamente conforme a curva de juros futuros — se as taxas subirem depois da compra, o valor de mercado do título cai, e o investidor realiza prejuízo ao resgatar antecipadamente.
Observando a renda variável, na semana passada, a Bolsa brasileira ultrapassou os 165 mil pontos na máxima intraday. No ano, o Ibovespa sobe algo próximo a 30%. “Com o dólar mais descontado, também considero saudável reforçar a diversificação internacional por meio de ETFs, fundos globais ou ações no exterior”, afirma Gonçalves.
Apesar da projeção de corte de juros, a renda fixa ainda é uma boa opção — afinal, ainda estará na casa dos dois dígitos. Nesse movimento, é preciso entender que os ativos são parecidos, mas diferentes. Isso porque há desconto do Imposto de Renda (IR), taxas de administração, performance e/ou come-cotas nesses investimentos.
Heber Ricardo Bobeck, assessor de investimentos da Mhydas Planejamento Financeiro, lembra que LFTs são dívidas do governo, enquanto CDB, LCI, LCA e os RDBs — as ‘caixinhas’ dos bancos digitais — são títulos emitidos por bancos. Já CRI, CRA e debêntures são dívidas de empresas.
Em alguns casos (LCI, LCA, CRI, CRA e debêntures incentivadas) o investidor é isento de Imposto de Renda. Nos demais, paga IR no resgate, seguindo a tabela regressiva.
Uma categoria diferente é a dos fundos DI, que compram justamente esses títulos. Como não possuem vencimento, sofrem come-cotas duas vezes por ano, sempre pela alíquota mínima. “O governo aplica o come-cotas no final de maio e novembro considerando que o investidor pagaria a menor alíquota possível (15%). Quando o investidor pedir o resgate, é feita a compensação”, diz Bobeck.
Esses fundos também podem ter taxa de administração — em geral, bem baixa — e, nos produtos mais simples, não costumam cobrar taxa de performance. Há ainda um grupo isento de IR: LCI, LCA, CRI, CRA e debêntures incentivadas. “São isentos de IR porque direcionam recursos para o mercado imobiliário, para o agronegócio ou para projetos de infraestrutura”, afirma.
“Ou seja, CDB, Tesouro Selic (LTF), CDBs, LCI, LCA e RDB não têm come-cotas, porque come-cotas só existe em fundos DI. Da mesma forma, taxas de administração e performance também não se aplicam a esses títulos; elas só existem nos fundos”, complementa Bobek.
O risco, entretanto, varia: LCI e LCA, por serem bancários, tendem a ser mais seguros; CRI, CRA e debêntures dependem da saúde financeira das empresas emissoras. Esses papéis têm sempre um vencimento definido e não servem como reserva de emergência. “Para resgatar antes do prazo, só vendendo no mercado secundário de acordo com as condições do momento”, reforça.
Se a necessidade for liquidez diária, o cenário muda: CDBs com resgate imediato, Tesouro Selic, fundos DI ou até ETFs que replicam o Tesouro Selic entram na lista. Na prática, a escolha passa pelo objetivo do investidor. Para quem busca proteção e acesso rápido ao dinheiro, essas opções é uma boa recomendação, explicam as fontes.
E as caixinhas? Normalmente, elas seguem o CDI e ficam dentro da cobertura do FGC até R$ 250 mil. Acima disso, realmente há risco, se o banco quebrar o investidor pode ficar sem receber. Então não são investimentos tão conservadores assim”, comenta Bobek. Por isso, elas oferecem inclusive retornos maiores. Para quem quer seguir nessa linha de rendimentos melhores, será preciso abrir mão da liquidez ou correr mais risco.
Segundo ele, nada impede misturar estratégias, como usar parte da carteira em papéis privados de prazo maior ou em fundos especializados nesses títulos. “No fim, tudo depende das necessidades do investidor e de onde ele pretende alocar cada parte do patrimônio.”