Ormuz: O prazo imposto pelos Estados Unidos, acompanhado da ameaça de ataques a infraestruturas energéticas iranianas, amplia a incerteza nos mercados. (Fadel Senna/AFP/Getty Images)
Repórter de Invest
Publicado em 23 de março de 2026 às 08h07.
Última atualização em 23 de março de 2026 às 08h08.
À medida que se aproxima o prazo estabelecido pelo presidente Donald Trump para a reabertura do Estreito de Ormuz, investidores globais estão revendo estratégias em meio ao conflito no Irã.
A exigência, que prevê possíveis ataques a infraestruturas energéticas iranianas caso não haja cumprimento, amplia a incerteza nos mercados, segundo a Bloomberg.
O cenário aponta para dois caminhos, com impacto sobre ativos globais: alívio nas tensões ou agravamento do conflito. A incerteza limita decisões mais assertivas dos investidores.
A proximidade do prazo intensificou a cautela entre gestores, que passaram a reduzir exposição a risco e elevar posições em caixa. Parte do mercado busca se posicionar diretamente para a volatilidade.
Outros investidores monitoram oportunidades de compra em eventuais quedas, considerando episódios anteriores de recuo em momentos de maior tensão. A leitura sustenta estratégias táticas de curto prazo.
A possibilidade de ampliação do conflito no Golfo tem sido tratada como ponto de inflexão para os mercados. O estrategista sênior de pesquisa da Pepperstone Group, Michael Brown, afirmou que o prazo é decisivo.
Nas últimas semanas, o choque na oferta de energia elevou riscos de estagflação e pressionou expectativas de juros. A movimentação levou à queda simultânea de ações e títulos.
O dólar voltou a se fortalecer como ativo de proteção, enquanto investidores buscaram oportunidades pontuais. Setores como defesa e energia renovável concentraram parte desse fluxo .
No mercado de commodities, o petróleo acumula alta superior a 50% desde o fim de fevereiro. O Brent opera próximo dos maiores níveis desde 2022.
A resposta dos investidores inclui redução de posições e adoção de hedge em diferentes mercados. A proteção ganhou espaço diante da elevação da incerteza.
Afinal, não há confiança de que o Irã vá ceder, especialmente após ameaças de retaliação, conforme o gestor de portfólio da Pictet Asset Management, Jon Withaar. A leitura reforça a postura defensiva.
No mercado de juros, houve pressão após a alta do petróleo acima de US$ 100. Investidores passaram a precificar novas elevações por bancos centrais.
A negociação de volatilidade é um dos principais temas entre clientes, na visão do diretor-executivo do EFG International, Giorgio Pradelli.
A falta de clareza sobre o desfecho mantém o mercado em compasso de espera. A incerteza reduz a disposição para movimentos mais agressivos.
"É difícil tomar decisões agora", segundo o gestor de portfólio da Nissay Asset Management, Taku Ito. "Precisamos considerar ambos os cenários."