Repórter
Publicado em 28 de janeiro de 2026 às 19h17.
O lucro líquido da Tesla no quarto trimestre de 2025 chegou a US$ 840 milhões, uma queda de 61% em relação ao mesmo período de 2024. Em relação ao valor diluído por ação, o resultado ficou em US$ 0,24, ou US$ 0,50 no critério ajustado, como mostrou o balanço divulgado nesta quarta-feira.
Entre os meses de outubro e dezembro, a receita somou US$ 24,9 bilhões, com recuo anual de 3%. Apesar da retração, os números superaram as previsões do mercado, que projetavam lucro ajustado de US$ 0,45 por ação e receita de US$ 24,74 bilhões, segundo a CNBC.
As despesas operacionais cresceram 39% no trimestre, totalizando US$ 3,6 bilhões. O lucro ajustado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) foi de US$ 4,15 bilhões, queda de 4% em comparação anual. A margem Ebitda ajustada ficou em 16,7%, frente aos 16,9% registrados no mesmo intervalo de 2024.
A produção total de veículos da Tesla no quarto trimestre de 2025 alcançou 434,3 mil unidades, o que representa uma queda de 3% em relação ao mesmo período do ano anterior. No entanto, as entregas recuaram 16%, totalizando 418,2 mil veículos no período.
As ações da empresa registravam alta de 2,97% no pós-mercado em Nova York, chegando a US$ 444,26. Durante o pregão regular, os papéis fecharam com variação positiva de 0,13%.
Um dos pontos centrais foi o anúncio da Tesla de investimento de US$ 2 bilhões na xAI, startup que também é propriedade de Elon Musk, como parte da estratégia para integrar inteligência digital ao hardware físico. A direção da companhia classificou 2025 como um "ano transformador", marcando a transição de uma empresa de hardware para o que definiu como uma “empresa de IA física”.
O segmento de armazenamento de energia atingiu um recorde de 14,2 gigawatt-horas em implantações. A Tesla atribuiu esse desempenho à sua integração vertical, que permite desenvolver soluções adaptadas de acordo com os gargalos operacionais identificados em diferentes produtos.
A companhia anunciou a retirada dos monitores de segurança de sua frota Robotaxi em Austin, Texas, como parte do avanço para um modelo sem supervisão humana.
A margem bruta subiu para 20,1%, mesmo com a queda nas entregas de veículos no período. Para sustentar os próximos ciclos de crescimento, a empresa projeta a criação de seis novas linhas de produção voltadas a veículos, baterias e robôs em 2026.
Os gastos de capital somaram US$ 8,5 bilhões no ano, impulsionados pela expansão dos centros de treinamento de IA, chamados de Cortex, no Texas. A Tesla afirmou que busca "maximizar a eficiência de capital" ao escalar sua infraestrutura computacional de forma estratégica.
Outra aposta para o longo prazo é o robô humanoide Optimus. Um novo modelo de terceira geração deve ser revelado no primeiro trimestre, com foco em produção em massa. A empresa projeta uma capacidade futura de até um milhão de unidades por ano. As primeiras linhas de produção do Optimus já estão em instalação.
A Tesla encerrou 2025 com US$ 44,1 bilhões em caixa e investimentos, valor que oferece fôlego financeiro para o chamado Plano Diretor – Parte IV. As atenções dos investidores se voltam agora para o início da produção do caminhão elétrico Tesla Semi e do Cybercab, previstos para o primeiro semestre de 2026.