Petróleo: alívio no preço do barril é sentido após trégua da guerra no Irã. (Montagem com elementos Canva/Exame)
Repórter de Invest
Publicado em 8 de abril de 2026 às 10h56.
O petróleo teve a maior queda diária em seis anos nesta quarta-feira, 8, e virou o jogo nos mercados globais. O óleo do tipo Brent despencou até 16%, para a casa dos US$ 90 por barril. O movimento ocorreu após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adiar por duas semanas uma ofensiva contra o Irã e sinalizar espaço para negociação, segundo dados consultados pelo Trading Economics.
O movimento da sessão é o mais intenso desde 2020, período marcado pelo choque provocado pela pandemia de covid-19, quando o petróleo chegou a registrar perdas históricas em meio ao colapso da demanda global.
A comparação ajuda a dimensionar o tamanho do ajuste atual: uma queda superior a 15% em um único dia não é comum e costuma estar associada a eventos extremos, indicaram informações do Trading Economics.
A maior força para derrubar os valores do barril está diretamente ligada a reabertura parcial do Estreito de Ormuz, rota que o Irã havia fechado no início do conflito e é responsável por 20% do escoamento global do óleo no mundo.
Nos últimos dias, o mercado vinha embutindo um prêmio elevado diante da ameaça de interrupção no fornecimento global, principalmente relacionado à Ormuz.
Com a trégua temporária, esse risco perdeu força de uma vez, pelo menos por agora. O petróleo, que vinha subindo com base no medo de escassez, passou a cair com a expectativa de fluxo normal.
Os EUA indicaram que receberam uma proposta de dez pontos do Irã, vista como base para um possível acordo.
A pausa de duas semanas foi desenhada justamente para viabilizar esse entendimento, com a condição de interromper ataques e retomar o tráfego na região.
Sinais de adesão ao cessar-fogo por parte de Israel reforçaram a leitura de alívio no curto prazo.
A queda do petróleo muda rapidamente, também, o cenário para inflação e juros. Energia mais barata reduz pressão sobre os preços e pode aliviar decisões de bancos centrais ao redor do mundo.
Antes da trégua, o avanço do Brent era visto como um fator de risco para a inflação global. Com a queda superior a 16% em um único dia, parte dessa preocupação perde força, de acordo com fontes consultadas pelo Trading.
Mas o alívio pode não durar, já que a trégua tem prazo definido e depende de avanço real nas negociações. Se o acordo não sair, o risco volta — e o petróleo pode reagir na mesma velocidade.