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Petróleo atinge US$ 100 com ataques em Ormuz e queda de estoques

O Irã passou, desde o início da guerra, a impor restrições ao tráfego em Ormuz; Trump, por outro lado, anunciou que vai estender por tempo indeterminado o cessar-fogo com Teerã

Petróleo: guerra no Irã pressiona preços da commodity. (Getty Images)

Petróleo: guerra no Irã pressiona preços da commodity. (Getty Images)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 22 de abril de 2026 às 08h29.

O petróleo voltou a subir e ultrapassou os US$ 100 por barril nesta quarta-feira, 22, em meio a relatos de ataques a navios no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de escoamento da commodity no mundo.

O episódio reacendeu o temor de interrupções na oferta global por causa da guerra envolvendo Irã, Estados Unidos (EUA) e Israel. Algo que foi refletido nos preços, segundo fontes consultadas pela Reuters.

Por volta das 7 horas de hoje, os contratos futuros para junho do petróleo tipo Brent subiam 1,38%, a US$ 99,84 por barril, após terem ultrapassado os US$ 100 mais cedo.

Já o West Texas Intermediate (WTI), referência de preços nos EUA, avançava 1,14%, a US$ 90,63. No dia anterior, os dois contratos já tinham fechado com alta de cerca de 3%.

Rota e oferta sob risco

A virada nos preços veio após a informação de que pelo menos três navios cargueiros foram atingidos por disparos no Estreito de Ormuz, de acordo com fontes de segurança marítima e o United Kingdom Maritime Trade Operations.

Antes do início do conflito com o Irã, no fim de fevereiro, cerca de 20% de todo o petróleo e gás natural liquefeito (GNL) do mundo passava por ali. Porém, desde o início da guerra, Teerã restringiu o tráfego na região.

Cessar-fogo ainda incerto

O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que vai estender por tempo indeterminado o cessar-fogo com o Irã, poucas horas antes do prazo inicial terminar, na terça-feira, 21.

Fontes consultadas pela Reuters mostram que a iniciativa busca manter as negociações em curso para encerrar a guerra. O anúncio foi feito de forma unilateral, e não há confirmação de adesão por parte do Irã ou de Israel.

Estoques menores nos EUA

Os estoques de petróleo nos EUA caíram 4,5 milhões de barris na última semana, segundo números preliminares do American Petroleum Institute (API). Gasolina e destilados também tiveram queda.

A expectativa do mercado era de uma redução de 1,2 milhão de barris na semana encerrada em 17 de abril. Se os dados oficiais confirmarem esse movimento, a leitura é de um mercado mais apertado do que o esperado.

Analistas da PVM afirmaram que, caso a queda nos estoques seja confirmada e as exportações se mantenham elevadas, isso pode indicar maior demanda por petróleo por parte de compradores na Europa e na Ásia.

"Isso será interpretado como uma confirmação de que os consumidores na Europa e no Extremo Oriente estão se esforçando para garantir o fornecimento de petróleo onde, quando e como puderem", disseram à Reuters.

Europa também pressiona

Na Europa, há mais um ponto de atenção, visto que o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, afirmou que o oleoduto Druzhba está pronto para voltar a operar, em meio à guerra contra a Rússia.

Fontes da indústria, via Reuters, indicam que o país comandado por Vladimir Putin pretende interromper, a partir do dia 1º de maio, o envio de petróleo do Cazaquistão para a Alemanha por essa rota.

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