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Negociação entre EUA e Irã empaca e Petróleo Brent encosta nos US$ 100

Preço da commodity voltou a subir forte após notícia de que o vice-presidente americano não havia embarcado para o Paquistão

Estreito de Ormuz: fluxo de navios segue interrompido (Sahar AL ATTAR / AFP/Getty Images)

Estreito de Ormuz: fluxo de navios segue interrompido (Sahar AL ATTAR / AFP/Getty Images)

Publicado em 21 de abril de 2026 às 16h57.

O preço do petróleo voltou a subir com força nesta terça-feira (21) diante do crescente risco de que a trégua entre Estados Unidos e Irã expire sem um acordo. O contrato futuro do Brent, referência internacional, avançou 3%, fechando a US$ 98,48 o barril, enquanto o WTI americano subiu quase 3%, encerrando a US$ 92,13.

A alta ocorreu após a notícia de que o vice-presidente americano JD Vance não havia partido para o Paquistão, onde as negociações de paz com o Irã deveriam ser retomadas. A viagem foi suspensa porque o Irã deixou de responder às propostas americanas, segundo fonte oficial com conhecimento do assunto ouvida pelo New York Times.

As conversas não foram canceladas formalmente, e a viagem poderia acontecer "a qualquer momento", segundo a mesma fonte.

Do lado iraniano, líderes seniores não se comprometeram publicamente com a participação nas negociações. O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou em publicação nas redes sociais na segunda-feira que Teerã "não aceitará negociações sob a sombra de ameaças."

O chanceler Seyed Abbas Araghchi classificou o bloqueio naval americano como "um ato de guerra e, portanto, uma violação do cessar-fogo", chamando a apreensão de um navio de carga iraniano no domingo de "violação ainda maior". "O Irã sabe neutralizar restrições, defender seus interesses e resistir ao bullying", afirmou Araghchi em publicação nas redes sociais nesta terça.

Trump descarta prorrogação e fala em retomada dos bombardeios

O presidente Donald Trump afirmou à CNBC nesta terça que não tem interesse em estender a trégua com o Irã. O cessar-fogo expira na quarta-feira à noite, horário da costa leste dos EUA, disse Trump à Bloomberg News. O presidente disse acreditar em um acordo, mas que está preparado para retomar a guerra caso as negociações fracassem. "O que acho é que chegaremos a um grande acordo.

Acho que eles não têm escolha. Destruímos sua marinha, destruímos sua força aérea, eliminamos seus líderes", afirmou ao programa Squawk Box da CNBC. O presidente acrescentou que espera "ter que bombardear, porque acho que é uma atitude melhor para entrar nas negociações."

Questionado sobre a disparada nos preços do petróleo, Trump minimizou o impacto, chamando-o de "ninharia" e dizendo estar surpreso que os preços não estejam muito mais altos. "Se você me dissesse que o petróleo está a 90 em vez de 200, eu ficaria francamente surpreso", disse à CNBC.

Estreito de Ormuz paralisa oferta global

A disrupção no fornecimento de petróleo deve se agravar neste mês, com o tráfego de navios-tanque pelo Estreito de Ormuz permanecendo muito baixo, segundo Paola Rodriguez-Masiu, analista-chefe de petróleo da Rystad Energy, citada pela CNBC.

Os países do Golfo devem produzir 14,3 milhões de barris por dia em abril — uma queda de 3 milhões de barris diários em relação a março e cerca de 13 milhões de barris abaixo dos níveis pré-guerra, informou Rodriguez-Masiu em nota a clientes na segunda-feira, de acordo com a agência.

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