Petrobras avança: às 12h45, as ações ordinárias (PETR3) subiam 5,07% e as preferenciais (PETR4) avançavam 4,41%, enquanto o Ibovespa recuava 0,67%, aos 179.249 pontos. Nos Estados Unidos, os ADRs da estatal, que já haviam avançado mais de 2% no pré-mercado, subiam mais de 5% no mesmo horário (MAURO PIMENTEL/AFP/Getty Images)
Repórter
Publicado em 6 de março de 2026 às 13h16.
Última atualização em 6 de março de 2026 às 13h46.
As ações da Petrobras avançam com força nesta sexta-feira, 6, num movimento que coincide com a alta dos preços do petróleo no mercado internacional e a divulgação do balanço da estatal no quarto trimestre de 2025.
Às 12h45, as ações ordinárias (PETR3) subiam 5,07% e as preferenciais (PETR4) avançavam 4,41%, enquanto o Ibovespa recuava 0,67%, aos 179.727 pontos. Nos Estados Unidos, os ADRs da estatal, que já haviam avançado mais de 2% no pré-mercado, subiam mais de 6,2% no mesmo horário.
Os investidores reagem aos resultados financeiros do 4° trimestre e o consolidado de 2025 da companhia, divulgados nesta quinta, 5, após o fechamento do mercado. Entre outubro e dezembro do ano passado, a Petrobras registrou lucro líquido atribuível aos acionistas de R$ 15,6 bilhões, revertendo o prejuízo de R$ 17 bilhões registrado no mesmo período de 2024.
Já o lucro líquido sem itens não recorrentes somou R$ 25,7 bilhões, alta de 44,9% na comparação anual. A receita de vendas atingiu R$ 127,4 bilhões no período, avanço de 5% em relação ao quarto trimestre de 2024, enquanto o Ebitda ajustado ficou em R$ 59,9 bilhões, alta de 46,3% na mesma base de comparação.
Segundo a companhia, o resultado foi pressionado pela queda de 7,8% no preço médio do barril do Brent no trimestre, além de menor venda de diesel no mercado interno, fatores parcialmente compensados pelo aumento das exportações e do volume de petróleo comercializado.
Ainda assim, analistas do Itaú BBA destacaram positivamente a geração de caixa da petrolífera. A Petrobras reportou fluxo de caixa operacional de US$ 10,2 bilhões no trimestre, cerca de 14% acima das estimativas, impulsionado principalmente pela redução do capital de giro.
Esse desempenho compensou um nível de investimentos um pouco maior do que o esperado — US$ 6,6 bilhões no trimestre — e permitiu à empresa anunciar dividendos de R$ 8,1 bilhões, cerca de 15% acima do consenso de mercado, segundo os analistas do banco.
Na visão do Itaú BBA, o volume mais elevado de investimentos reflete a aceleração de projetos no pré-sal e deve continuar ao longo de 2026, o que pode pressionar o caixa no curto prazo, mas tende a "desbloquear uma geração de caixa mais forte no médio prazo".
Analistas do BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) também classificaram os resultados como "relativamente sólidos", destacando que a redução do capital de giro ajudou a compensar saídas pontuais de caixa no trimestre, como pagamentos relacionados ao leilão da PPSA e ao projeto Jubarte AIP.
Segundo o banco, o fluxo de caixa livre calculado pela fórmula da companhia ficou em US$ 3,6 bilhões no trimestre, permitindo o pagamento de dividendos de US$ 1,5 bilhão, ligeiramente acima do esperado pelo mercado.
Na avaliação de João Daronco, analista CNPI da Suno Research, a Petrobras apresentou um desempenho sólido mesmo em um ambiente mais desafiador para o setor. "A escalada operacional da companhia tem sido o grande destaque e o principal motor de valor", afirmou.
O analista observa que a produção total de óleo e gás cresceu 11% em 2025, superando a meta estabelecida no plano de negócios da empresa. O avanço foi impulsionado pela entrada em operação de novas unidades no pré-sal, o que também levou a companhia a bater recorde de exportações de petróleo no quarto trimestre, com cerca de 999 mil barris por dia.
No acumulado de 2025, a Petrobras registrou lucro líquido de R$ 110,1 bilhões, ante R$ 36,6 bilhões em 2024. A receita anual somou R$ 497,5 bilhões, enquanto o Ebitda ajustado chegou a R$ 237,2 bilhões.
Para Daronco, a combinação de aumento de produção no pré-sal com disciplina de capital reforça a capacidade da companhia de atravessar períodos de volatilidade no preço do petróleo. "A combinação de crescimento acelerado de produção no pré-sal com rígida disciplina de capital blinda a companhia contra oscilações de mercado", disse.
Se a queda do Brent pressionou a Petrobras, esta sexta marcou o maior nível do petróleo em quase dois anos.
Por volta de 13h, os contratos futuros do Brent, referência mundial, subiam 5,98%, para US$ 91,39 por barril, renovando a máxima em 52 semanas e atingindo o nível mais alto em quase dois anos. Já o WTI, referência americana, avançava 10,26% para US$ 89,32 por barril, no maior patamar desde abril de 2024.
Os preços da commodity são mpulsionados pela escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã e pelos riscos crescentes para o fornecimento global de energia.