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Petrobras reverte prejuízo no 4º tri e compensa recuo do petróleo com produção

Estatal registrou lucro líquido atribuível aos acionistas de R$ 15,6 bilhões

Petrobras: lucro líquido de R$ 110,1 bilhões no acumulado do ano (Agência Petrobras/Divulgação)

Petrobras: lucro líquido de R$ 110,1 bilhões no acumulado do ano (Agência Petrobras/Divulgação)

Da Redação
Da Redação

Redação Exame

Publicado em 5 de março de 2026 às 21h51.

A Petrobras encerrou o quarto trimestre de 2025 com melhora em relação ao mesmo período do ano anterior, em um cenário em que, diferente do atual momento, a queda do preço internacional do petróleo pressionava os números.

A companhia registrou lucro líquido atribuível aos acionistas de R$ 15,6 bilhões no quarto trimestre, revertendo o prejuízo de R$ 17 bilhões apurado no mesmo período de 2024.

O lucro líquido sem itens não recorrentes somou R$ 25,7 bilhões, alta de 44,9% em relação ao quarto trimestre de 2024, mas queda de 10% frente ao trimestre imediatamente anterior.

A diferença entre os indicadores decorre de efeitos contábeis considerados não recorrentes, como ganhos e perdas cambiais, impairments (baixas ou reversões de valor de ativos), resultados com venda ou baixa de ativos, além de contingências judiciais e acordos trabalhistas.

A receita de vendas da estatal atingiu R$ 127,4 bilhões no trimestre, alta de 5% na comparação anual e praticamente estável frente ao terceiro trimestre.

Já o Ebitda ajustado somou R$ 59,9 bilhões, avanço de 46,3% na comparação com o quarto trimestre de 2024, mas recuo de 6,2% em relação ao trimestre anterior.

Segundo a companhia, o desempenho do período foi impactado pela queda de 7,8% no preço do barril do petróleo Brent, além de menor venda de diesel no mercado interno por fatores sazonais. O efeito foi parcialmente compensado pelo aumento do volume de petróleo comercializado e pela alta nas exportações.

Resultado anual

No acumulado de 2025, a Petrobras registrou lucro líquido de R$ 110,1 bilhões, ante R$ 36,6 bilhões em 2024, uma alta de 200,8%.

Desconsiderando eventos não recorrentes, porém, o desempenho foi ligeiramente inferior ao do ano anterior. O lucro líquido ajustado ficou em R$ 100,9 bilhões, queda de cerca de 2% frente aos R$ 103 bilhões registrados em 2024.

A diferença entre os dois indicadores foi influenciada principalmente por ganhos com variação cambial, decorrentes da valorização do real frente ao dólar ao longo do ano.

A receita de vendas totalizou R$ 497,5 bilhões em 2025, alta de 1,4% em relação aos R$ 490,8 bilhões registrados em 2024.

O Ebitda ajustado anual somou R$ 237,2 bilhões, crescimento de 10,6% na comparação com os R$ 214,4 bilhões apurados no ano anterior. Já o Ebitda ajustado sem eventos exclusivos ficou em R$ 244,3 bilhões, praticamente estável em relação a 2024, com leve queda de 0,6%.

Os resultados foram registrados em um ambiente menos favorável para o setor de petróleo. O preço médio do Brent caiu 14,5% em 2025, passando de US$ 80,76 por barril em 2024 para US$ 69,06.

Segundo a companhia, o impacto foi compensado pelo aumento da produção. A Petrobras elevou em 11% a produção total de óleo e gás no ano, impulsionada pela entrada de novas plataformas no pré-sal.

Caixa, investimentos e dívida

Apesar da pressão sobre os preços do petróleo, a empresa manteve forte geração de caixa. O fluxo de caixa operacional somou R$ 200,3 bilhões em 2025, leve queda de 1,8% frente aos R$ 204 bilhões registrados em 2024.

O fluxo de caixa livre, porém, recuou 26,1%, para R$ 91,6 bilhões, refletindo o aumento dos investimentos.

O capex total da Petrobras atingiu US$ 20,3 bilhões em 2025, com forte concentração no segmento de exploração e produção, responsável por 84% dos investimentos.

Somente essa área recebeu cerca de US$ 17 bilhões, alta de 22,3% em relação ao ano anterior, direcionados principalmente ao desenvolvimento de campos no pré-sal.

Na estrutura de capital, a dívida bruta da companhia encerrou o ano em US$ 69,8 bilhões, alta de 15,7% frente ao fim de 2024. A dívida líquida atingiu US$ 60,6 bilhões, avanço de 16% no período.

Com isso, a relação dívida líquida/Ebitda ajustado passou de 1,29 vez para 1,42 vez, refletindo o aumento dos investimentos e a entrada de novos projetos de produção.

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