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Paramount apela para Macron para convencer a Warner a esquecer Netflix e aceitar sua oferta

Além do presidente francês, executivos da Paramount estão se aproximando também do governo do Reino Unido

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 15 de janeiro de 2026 às 18h36.

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A Paramount Skydance intensificou suas relações com governos europeus para elevar o apoio à sua proposta de compra da Warner Bros. Discovery, no valor de US$ 108,4 bilhões. A estratégia incluiu reuniões com o presidente francês Emmanuel Macron, em um esforço de convencimento político diante da resistência à oferta hostil apresentada no final de 2025.

Segundo a Bloomberg, fontes próximas às negociações contaram que os executivos da Paramount mantiveram conversas com Macron e integrantes do governo francês. As reuniões ocorreram em meio à disputa da empresa americana com a Netflix pelo controle da Warner Bros, e foram seguidas por encontros em Londres, nesta quinta-feira, com autoridades do Reino Unido.

A Paramount, sob comando de David Ellison — filho do fundador da Oracle, Larry Ellison, e aliado do presidente americano Donald Trump — vem tentando adquirir a Warner Bros. desde setembro. A proposta mais recente, de US$ 30 por ação em dinheiro, foi rejeitada pelo estúdio, que passou a apoiar a contraproposta da Netflix, avaliada em US$ 27,75 bilhões em ações e dinheiro. Como reação, a Paramount declarou intenção de iniciar uma disputa por procuração para tentar alterar a composição do conselho de administração da Warner Bros.

Obstáculos para o futuro dono da Warner

A pressão política e regulatória tem peso decisivo nesse tipo de operação. Negócios dessa escala enfrentam revisão das autoridades reguladoras tanto nos Estados Unidos quanto na União Europeia, onde o apoio informal de governos nacionais pode impactar a avaliação final dos órgãos sediados em Bruxelas.

No caso da França, o tema é ainda mais sensível, considerando a proteção histórica do país às suas indústrias de cinema e televisão.

De acordo com agências de notícias, reuniões técnicas com a Comissão Europeia estão em curso nesta semana, embora o órgão regulador tenha se recusado a comentar.

Nos Estados Unidos, o embate jurídico segue. Nesta quinta-feira, um juiz negou o pedido da Paramount por acesso a documentos relacionados à proposta da Netflix. A empresa acusa o conselho da Warner Bros. de supostamente enganar investidores no contexto da oferta, que envolve mais de US$ 82,7 bilhões.

O desfecho da disputa poderá alterar significativamente a estrutura da indústria global do entretenimento, ampliando tensões geopolíticas e comerciais no setor de mídia e tecnologia. Ambas as propostas, da Paramount e da Netflix, são acompanhadas de perto por órgãos antitruste.

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