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O que esperar das ações da B3 com a disparada recente da bolsa

Empresa unificou negócio de dados e teve recomendações revisadas pelas casas de análise

Papel da B3: no acumulado de 12 meses, a alta chega a 58,49% (Eduardo Frazão/Exame)

Papel da B3: no acumulado de 12 meses, a alta chega a 58,49% (Eduardo Frazão/Exame)

Publicado em 9 de fevereiro de 2026 às 10h07.

A ação da B3 (B3SA3), controladora da bolsa brasileira, esteve entre as maiores altas do Ibovespa na sexta-feira, 6, ao subir 4,86%. O movimento reforçou o desempenho positivo do papel em 2026 que, em pouco mais de um mês, já acumula valorização de quase 26%. No acumulado de 12 meses, a alta chega a 58,49%.

O avanço da ação na sessão de sexta ocorreu um dia após a companhia anunciar uma nova frente de diversificação de receitas. A B3 lançou a Trillia na quinta, 5, marca que consolida os negócios de dados e soluções analíticas do grupo.

A nova frente reúne empresas adquiridas nos últimos anos, como Neurotech, Neoway, PDTech e Datastore, além da Unidade de Infraestrutura de Financiamento oriunda da antiga Cetip, e hoje responde por cerca de 10% da receita total da companhia.

A expectativa da Bolsa, Brasil e Balcão, de acordo com o presidente da companhia, Gilson Finkelsztain, é reduzir a exposição da empresa aos ciclos do mercado de capitais, ampliando receitas recorrentes e dando maior visibilidade a esse negócio junto aos investidores, com o objetivo de crescer dois dígitos por muitos anos, ainda que sem um guidance formal.

Mercado vê potencial na ação da B3

O desempenho da ação também foi impulsionado pela elevação de recomendação do UBS BB, que passou de neutra para compra, com preço-alvo de R$ 19,50. O banco avalia que a controladora da bolsa brasileira deve acompanhar a melhora do mercado de capitais, com lucros cerca de 10% acima do consenso em 2026 e 2027.

A análise projeta melhora na perspectiva de receitas em todas as frentes e destaca sinais de recuperação dos volumes. O volume médio diário negociado (ADTV) atingiu R$ 29 bilhões em novembro e R$ 31 bilhões em dezembro de 2025 e chegou a R$ 33 bilhões em janeiro, alta de 40% na comparação anual e de 8% frente ao mês anterior.

Na visão da gestora Apex Capital, a leitura sobre a B3 segue positiva diante da revisão para cima das estimativas de lucro do consenso para 2026, impulsionada por benefício fiscal via juros sobre capital próprio (JCP) e por volumes de negociação acima do projetado pelo mercado.

"A empresa apresenta forte alavancagem operacional com volumes mais elevados, tanto em ações quanto em derivativos, enquanto a concorrência não deve afetar o desempenho no curto prazo e no horizonte visível. E o papel negocia com desconto relevante em relação a bolsas globais", afirma o gestor Paulo Weickert, sócio da casa.

Dalton Vieira, analista-chefe da Blue3 Research, também avalia que a companhia está inserida em um contexto favorável no médio e longo prazo e integra as carteiras recomendadas da casa. Segundo ele, o papel apresenta condições para o "rompimento de sua máxima histórica" nesse horizonte.

"Esse cenário positivo atrai investidores e ele vai representando isso através do comportamento do preço, com grandes investidores interessados nesse papel", diz Vieira.

O interesse do mercado também aparece nas carteiras recomendadas. A XP Investimentos aumentou a participação de B3SA3 de 10% para 12,5% em sua carteira de dividendos, citando a expectativa de recuperação da atividade no mercado de capitais, impulsionada pela continuidade de fortes entradas de fluxo estrangeiro em ações brasileiras.

Além disso, a corretora também destacou em sua carteira deste mês a perspectiva de juros mais baixos e volatilidade eleitoral. Na avaliação da XP, a B3 se enquadra no perfil de empresas com perspectiva de pagamento consistente de dividendos, dividend yield, o rendimento de dividendos atrativo, gestão de qualidade, modelo de negócios sólido e natureza mais defensiva.

"B3 é visto como um play de dividendos. Mais de R$ 22,5 bilhões foram distribuídos aos acionistas nos últimos 10 anos. Cabe destacar que nos últimos 3 anos o payout variou entre 97% e 124%", afirmou a XP no documento.

Ajustes de curto prazo atravessam o papel

Apesar da leitura positiva, algumas casas optaram por realizar lucros após a forte valorização recente.

A Planner retirou a ação da B3 de sua carteira de recomendações neste mês, citando a estratégia de realização de ganhos após a alta registrada em janeiro, mas elogiou o papel. "Ressaltamos sua diversificação de receitas e dividendos significativos como fatores importantes a serem considerados", disse.

Mas a casa reconhece que B3 vem entregando resultados consistentes. "A empresa está investindo em tecnologia e novos produtos, que podem impulsionar seu crescimento nos próximos anos. Nos resultados dos primeiros nove meses de 2025, a empresa registrou receitas de R$ 8,2 bilhões, EBITDA de R$ 5,1 bilhões e lucro líquido de R$ 3,7 bilhões".

A atenção dos investidores também se volta para o balanço do quarto trimestre de 2025, que será divulgado no dia 26 de fevereiro.

Segundo o Safra, a temporada deve ser favorável para as empresas do mercado de capitais brasileiro. Para a B3, a expectativa é de crescimento sólido de receita, impulsionado por volumes mais robustos e pelo impacto positivo da aquisição de ativos intangíveis, reforçando a preferência do banco por empresas do setor em relação aos bancos nesta temporada de resultados.

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