Fed: Trump anuncia Warsh como novo presidente da autarquia (BRENDAN SMIALOWSKI / Colaborador/Getty Images)
Repórter de finanças
Publicado em 30 de janeiro de 2026 às 10h15.
Última atualização em 30 de janeiro de 2026 às 10h19.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou o novo presidente do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), na manhã desta sexta-feira, 30. Assim como o mercado antecipou horas antes, o nome escolhido foi do ex-diretor do Fed, Kevin Warsh.
"Ele é uma pessoa extremamente técnica, experiente, e tem uma reputação forte. Dos nomes que eram ventilados, talvez ele seja o mais técnico. É encarado com cautela, mas é menos arriscado do que os outros. É uma escolha que agrada, mas de certa forma surpreende o mercado", diz Gerson Brilhante analista da Levante Inside Corp.
O mandato de Jerome Powell termina em maio, mas isso não quer dizer que ele ficará afastado das atividades da autarquia. Isso porque a autoridade ocupa uma cadeira no Conselho de Diretores do Fed.
Esse mandato como diretor vai até janeiro de 2028. Entretanto, ele ainda não deixou claro se pretende permanecer no colegiado após o fim de seu período como chair.
Em depoimento nesta semana, o até então presidente evitou afirmar se continuará no Fed. Ele declarou, em coletiva de imprensa, que "há um tempo e um lugar para essas perguntas", mas que o tema "não é algo que iria abordar hoje".
A autoridade vem sendo alvo de críticas ferrenhas de Trump, que diz que os juros altos impedem a economia de crescer. Entretanto, Powell foi indicado pelo próprio Trump em 2018 — e reconduzido pelo ex-presidente Joe Biden em 2022.
Nesta semana, contrariando o desejo de Trump, o Federal Reserve manteve a taxa de juros inalterada, na faixa entre 3,50% e 3,75%.
Kevin Warsh tinha apenas 35 anos quando foi nomeado diretor do Fed, tornando-se o mais jovem da história a ocupar o cargo. À época, chamava atenção tanto por sua juventude quanto por sua vida pessoal: Warsh é casado com Jane Lauder, herdeira da gigante de cosméticos Estée Lauder e filha do bilionário republicano Ronald Lauder.
Formado em Direito por Harvard e ex-banqueiro do Morgan Stanley, Warsh era visto inicialmente como um nome superficial num corpo técnico dominado por economistas acadêmicos. Mas sua reputação começou a mudar com a eclosão da crise financeira de 2008.
Com relações influentes em Wall Street, tornou-se uma peça-chave nos bastidores do Fed. Atuou diretamente na negociação que levou à venda do Wachovia para o Wells Fargo e ajudou a estruturar o plano de injeção de capital nos maiores bancos do país.
“Foi um período de enorme turbulência, e Kevin foi testado no fogo”, lembra Randall Kroszner, ex-colega no Fed e hoje professor da Universidade de Chicago, à Bloomberg.
Apesar de seu papel relevante durante a crise, Warsh manteve uma postura cautelosa em relação à política monetária, frequentemente alertando para os riscos de inflação e defendendo taxas de juros mais altas — mesmo no auge da recessão.
Essa visão conservadora prevaleceu por anos e foi reiterada até recentemente. Em 2024, Warsh protagonizou uma reviravolta, passando a advogar publicamente por cortes agressivos nos juros.
O nome de Warsh ainda precisa ser confirmado pelo Senado, onde enfrenta oposição. O senador republicano Thom Tillis já anunciou que vai barrar qualquer nomeação até a conclusão da investigação contra Powell.