O que move os mercados: no pano de fundo, investidores continuam monitorando os desdobramentos do conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, que entra no 12º dia (Nikada/Getty Images)
Repórter
Publicado em 11 de março de 2026 às 05h30.
Os mercados entram na quarta-feira, 11, com uma agenda carregada de indicadores econômicos e ainda atentos ao cenário geopolítico no Oriente Médio, que segue no centro das atenções dos investidores globais.
O principal destaque do dia será a divulgação de dados de inflação nos Estados Unidos, além de indicadores de atividade no Brasil e novos números sobre o mercado de petróleo.
A agenda começa cedo na Europa, com uma série de dados de inflação e consumo. Às 4h, serão divulgados os índices de preços ao consumidor da Alemanha referentes a fevereiro, tanto na comparação mensal quanto anual, além da versão harmonizada do indicador.
Ainda no início da manhã, saem dados de vendas no varejo da Espanha e os números de inflação de Portugal. O dia também inclui discursos de autoridades monetárias, como Luis de Guindos, vice-presidente do Banco Central Europeu, e Breeden, do Banco da Inglaterra.
No mercado de energia, investidores também acompanharão a divulgação do relatório mensal da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), às 7h, em meio à volatilidade recente nos preços do petróleo.
No Brasil, o principal indicador do dia será o resultado das vendas no varejo de janeiro, divulgado pelo IBGE às 9h. Na última leitura, o indicador havia recuado 0,4% na comparação mensal, mas acumulava crescimento de 2,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O desempenho do consumo das famílias é acompanhado de perto pelo mercado por oferecer sinais sobre o ritmo da atividade econômica no país. Ainda no cenário doméstico, o Banco Central divulga às 14h30 os dados semanais de fluxo cambial estrangeiro. Na última divulgação, o saldo foi positivo em US$ 2,071 bilhões.
O foco internacional, no entanto, estará concentrado nos Estados Unidos. Às 9h30, o Bureau of Labor Statistics publica o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de fevereiro. Em janeiro, a inflação americana subiu 0,2% no mês e acumulou alta de 2,4% em 12 meses. O núcleo do indicador — que exclui alimentos e energia — avançou 0,3% no período, com alta anual de 2,5%.
O dado é um dos principais termômetros acompanhados pelos investidores para avaliar o comportamento da inflação na maior economia do mundo. Mais tarde, às 11h30, serão divulgados os dados mais recentes sobre os estoques de petróleo bruto nos Estados Unidos.
Na última leitura, os estoques haviam aumentado em 3,475 milhões de barris, acima da expectativa do mercado, que projetava alta de 3 milhões de barris.
A agenda americana ainda inclui a divulgação do balanço orçamentário federal de fevereiro, às 15h. Em janeiro, o resultado havia sido um déficit de US$ 95 bilhões.
No calendário corporativo, a quarta-feira também é marcada pela divulgação de balanços de diversas empresas no Brasil, incluindo Braskem, Cogna, CSN Mineração, CSN, SLC Agrícola, SmartFit, Vibra e Yduqs.
Nos Estados Unidos, o destaque é o resultado da Johnson & Johnson.
No pano de fundo, investidores continuam monitorando os desdobramentos do conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, que entra no 12º dia. O governo iraniano afirmou que não permitirá a exportação de petróleo a partir do Golfo enquanto o confronto continuar, declarando que não deixará sair “um único litro de petróleo” da região.
No mesmo dia, Teerã anunciou novos ataques com mísseis contra Israel e contra instalações associadas aos Estados Unidos no Oriente Médio. A ofensiva ocorre no contexto da guerra iniciada em 28 de fevereiro, após ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel contra alvos iranianos.
Desde o início das hostilidades, os preços do petróleo têm apresentado forte volatilidade nos mercados internacionais, à medida que investidores monitoram o risco de que a ampliação do conflito provoque impactos na economia global.
Na sessão anterior, os mercados tiveram uma recuperação parcial do apetite por risco. O Ibovespa fechou em alta de 1,40%, aos 183.447 pontos, após chegar a subir mais de 2% durante o pregão e ultrapassar os 185 mil pontos. O dólar à vista recuou frente ao real e terminou o dia cotado a R$ 5,157.
A melhora do humor dos investidores ocorreu em meio à forte queda nos preços do petróleo. O Brent recuou 11,27%, para US$ 87,80 por barril, enquanto o WTI caiu 11,94%, para US$ 83,45.
Apesar do alívio momentâneo, analistas apontam que os mercados devem continuar sensíveis a qualquer nova informação sobre o conflito e sobre o tráfego de petroleiros no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de um quinto do petróleo transportado no mundo.