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Com R$ 65 bi em dívidas, recuperação extrajudicial da Raízen já é a maior do país

Pedido de R$ 65 bilhões da Raízen amplia escala do mecanismo no Brasil; varejo, agro e mineração também recorrem à renegociação privada

Raízen: empresa entrou em recuperação judicial na terça-feira, 10  (Raízen/Divulgação)

Raízen: empresa entrou em recuperação judicial na terça-feira, 10 (Raízen/Divulgação)

Publicado em 11 de março de 2026 às 06h35.

Última atualização em 11 de março de 2026 às 08h48.

A Raízen (RAIZ4), empresa de energia e bioenergia controlada por Cosan e Shell, já é a detentora do título de maior recuperação extrajudicial da história do Brasil após protocolar um pedido para adotar o instrumento nesta quarta-feira, 11.

O processo foi apresentado ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) e envolve a renegociação de cerca de R$ 65 bilhões em dívidas financeiras.

Em nota enviada à EXAME, a empresa afirmou que a "proposta foi estruturada em diálogo com esses credores e tem como objetivo estabelecer um ambiente jurídico adequado para a negociação e implementação de ajustes em determinadas obrigações financeiras".

O plano prevê um período de standstill de 90 dias, durante o qual os pagamentos são suspensos para permitir a negociação de novas condições. Entre as medidas discutidas estão o alongamento de prazos e a possível conversão de aproximadamente 40% da dívida em participação acionária.

Apesar da reestruturação financeira, a companhia informou que as operações seguem normalmente. Em dezembro de 2025, a Raízen registrava cerca de R$ 17,3 bilhões em caixa.

Outros grandes acordos recentes

A renegociação da Raízen amplia o tamanho das recuperações extrajudiciais no país. O segundo maior caso recente envolve o GPA (Grupo Pão de Açúcar), que protocolou também na terça um acordo para reorganizar cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas não garantidas.

O plano recebeu aprovação unânime do conselho de administração e já conta com apoio de credores que representam 46% dos créditos, equivalentes a aproximadamente R$ 2,1 bilhões. A proposta prevê suspensão temporária de pagamentos por 90 dias para renegociar prazos e condições.

No setor de energia, o Grupo Rio Alto iniciou em julho de 2025 uma recuperação extrajudicial de aproximadamente R$ 2,95 bilhões. A reestruturação envolve empresas como a Rio Alto STL Holding I e unidades de geração renovável.

PosiçãoEmpresaAnoValor (R$ bi)Detalhes
1Raízen202665Protocolo TJSP, standstill de 90 dias
2GPA (Pão de Açúcar)20264,5Acordo com credores, reorganização sem recuperação judicial
3Grupo Rio Alto20252,95Reestruturação no setor agroindustrial
4Grupo Lavoro Agro20252,55Renegociação no agronegócio
5Araguaia Níquel Metais20252,45 (ou 2,3)Maior recuperação extrajudicial do primeiro trimestre de 2025
6Belagrícola Paraná20252,2Empresa do setor agro
7Grupo Rech20250,53Maior recuperação extrajudicial de Santa Catarina em 2025
8St Marche / Empório Santa Maria20250,53Segunda maior recuperação extrajudicial do primeiro trimestre de 2025
9Grupo Two Square20250,79-
10Outros 2025 (top agregados)2025~7 (top 5)Total de 2025: R$ 15,6 bilhões em 68 casos
11Recordes 2024 (não especificados individualmente)2024~39 total62 casos registrados

O plano foi motivado pelos impactos financeiros do curtailment, quando a geração de energia precisa ser limitada por restrições no sistema elétrico.

No agronegócio, a Lavoro Agro protocolou em 2025 um acordo envolvendo entre R$ 2,2 bilhões e R$ 2,5 bilhões em dívidas da Lavoro Distribuição Brasil e da Perterra. O plano incluiu fornecedores como BASF, FMC e UPL e foi homologado pela Justiça em novembro daquele ano.

Já na mineração, a Araguaia Níquel Metais, ligada à Horizonte Minerals, iniciou em fevereiro de 2025 uma recuperação extrajudicial de cerca de R$ 2,45 bilhões relacionada ao projeto Araguaia, no Pará.

Mecanismo ganha espaço

A recuperação extrajudicial tem sido utilizada por empresas que buscam reorganizar dívidas sem recorrer à recuperação judicial. O modelo exige adesão prévia de credores e posterior homologação pela Justiça.

Em 2025, foram registrados 68 casos desse tipo no Brasil, somando aproximadamente R$ 15,6 bilhões em dívidas renegociadas. No ano anterior, 62 processos movimentaram cerca de R$ 39 bilhões.

A maior parte das recuperações extrajudiciais envolve empresas com dívidas inferiores a R$ 500 milhões, mas acordos recentes ampliaram significativamente o volume das renegociações no país.

A recuperação extrajudicial permite que a companhia negocie diretamente com parte dos credores e leve posteriormente o acordo à validação judicial. Diferentemente da recuperação judicial, o processo não envolve todos os compromissos financeiros da empresa.

Veja a nota na íntegra:

A Raízen informa que protocolou nesta quarta-feira (11) pedido de homologação de um plano de recuperação extrajudicial, voltado à reorganização de parte de suas obrigações financeiras junto a credores da companhia.

A proposta foi estruturada em diálogo com esses credores e tem como objetivo estabelecer um ambiente jurídico adequado para a negociação e implementação de ajustes em determinadas obrigações financeiras, no âmbito da estratégia da companhia de otimização de sua estrutura de capital.

A empresa ressalta que o escopo da recuperação extrajudicial é estritamente financeiro e não envolve dívidas ou obrigações operacionais. Dessa forma, permanecem integralmente preservadas as relações da Raízen com clientes, fornecedores, revendedores e demais parceiros de negócios, que seguem regidas normalmente pelos respectivos contratos.

Todas as operações da companhia continuam sendo conduzidas normalmente, incluindo o atendimento a clientes, a relação com fornecedores e a execução de seus planos de negócios.

O plano apresentado prevê prazo de até 90 dias para a obtenção das adesões necessárias à sua homologação, nos termos da legislação aplicável.

A Raízen manterá seus acionistas e o mercado informados acerca de quaisquer desdobramentos relevantes relacionados a este tema.

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