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O ouro vai chegar a US$ 10 mil?

A leitura é de que a correção recente reflete fatores pontuais, como a valorização do dólar e ajustes de posição por investidores, sem alteração dos fundamentos

Ouro: perspectiva otimista não depende de prêmios de risco. (KTSDESIGN/SCIENCE PHOTO LIBRARY/Getty Images)

Ouro: perspectiva otimista não depende de prêmios de risco. (KTSDESIGN/SCIENCE PHOTO LIBRARY/Getty Images)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 24 de março de 2026 às 07h44.

A queda recente do ouro não alterou a visão de longo prazo de analistas, que seguem projetando valorização. Estrategistas avaliam que os fundamentos permanecem intactos e sustentam expectativas de preços nos próximos anos.

Mesmo após recuar cerca de 21% desde o pico de US$ 5.594,82 no fim de janeiro, estimativas indicam que o ativo pode alcançar US$ 10 mil por onça até o fim da década, sustentado por demanda estrutural e incertezas globais.

Nesta terça-feira, 24, o ouro ampliou as perdas, com os preços à vista chegando a cair 2% no intradia, antes de reduzirem o recuo para cerca de 1,5%, a US$ 4.335,97 por onça.

Os futuros acompanharam o movimento, negociados próximos de US$ 4.317,80, consolidando o metal em um mercado de baixa atualmente.

Projeções seguem elevadas

O presidente da Yardeni Research, Ed Yardeni, é um dos especialistas que afirmou manter uma perspectiva otimista para o metal no longo prazo.

"Mantemos nossa previsão de US$ 10.000 até o final da década", disse. Para o curto prazo, a estimativa foi revisada para US$ 5 mil por onça ao fim do ano.

A leitura, feita à CNBC, é de que a correção recente reflete fatores pontuais, como a valorização do dólar e ajustes de posição por investidores, sem alteração dos fundamentos.

Queda é oportunidade?

Já o estrategista de investimentos da Global X ETFs, Justin Lin, manteve a projeção de US$ 6.000 por onça até o fim do ano e classificou o movimento recente como "um ponto de entrada atraente para investidores".

"A queda parece ser impulsionada por uma combinação de sensibilidade de curto prazo a taxas de juros mais altas."Justin Lin, estrategista de investimentos da Global X ETFs

Lin acrescentou que a perspectiva positiva não depende diretamente da guerra no Irã, um dos principais fatores de incertezas globais no momento.

"Ela se baseia no contexto mais amplo de persistente incerteza geopolítica, demanda contínua dos bancos centrais e fluxos sustentados de investidores de ETFs — fundos negociados em bolsa — de ouro asiáticos", disse.

Demanda e dólar no radar

A atuação de bancos centrais, especialmente em mercados emergentes, segue como um dos principais fatores de suporte.

O estrategista sênior de investimentos do Standard Chartered, Rajat Bhattacharya, relatou à CNBC que o banco mantém visão positiva para o ouro, citando a diversificação de reservas e riscos geopolíticos.

A instituição projeta recuperação para US$ 5.375 por onça nos próximos três meses, com suporte técnico próximo de US$ 4.100. Para Bhattacharya, "um dólar americano mais fraco deve, mais uma vez, sustentar os preços do ouro".

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