EUA: Mercado reage ao impacto no estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo do mundo (makhnach/Freepik)
Publicado em 17 de maio de 2026 às 20h23.
Os preços do petróleo começaram a semana em alta na noite do domingo, 17, em meio ao agravamento das tensões no Oriente Médio e a novas ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Irã.
O barril Brent, referência internacional da commodity, abriu cotado a US$ 110,26 e chegou a US$ 110,98, avanço de 0,92%. Na semana passada, o petróleo já havia acumulado valorização de 7,80%.
A alta foi impulsionada por uma combinação de fatores, entre eles ataques com drones nos Emirados Árabes Unidos, um incêndio nas proximidades da usina nuclear de Barakah e a escalada do conflito envolvendo Teerã e Washington.
Nos Estados Unidos, o petróleo WTI (West Texas Intermediate) também registrou valorização. O barril avançava 1,52%, negociado a US$ 102,34, na noite de domingo.
O mercado acompanha com preocupação a dificuldade do governo americano em reduzir a tensão na região. O impasse mantém incertezas sobre a situação no estreito de Ormuz, passagem estratégica por onde transita cerca de 20% da produção global de petróleo e gás.
Neste domingo, Trump voltou a ameaçar o Irã, cerca de dois meses e meio após o início da ofensiva contra Teerã. Em publicação na rede Truth Social, o presidente americano afirmou que o país persa precisa agir rapidamente. “Para o Irã, o tempo está se esgotando, e é melhor eles se mexerem, rápido, ou não restará nada deles”, escreveu.
As negociações diretas entre representantes dos dois países seguem interrompidas desde um encontro realizado no Paquistão, em meados de abril.
Antes da nova declaração de Trump, o governo iraniano já havia emitido um alerta aos Estados Unidos. O porta-voz das Forças Armadas iranianas, Abolfazl Shekarchi, afirmou que uma nova ofensiva contra o país teria consequências inéditas.
“O presidente americano deveria saber que, se o Irã for agredido de novo, os recursos e o exército de seu país enfrentarão cenários inéditos, ofensivos, surpreendentes e tumultuados”, declarou.
Também neste domingo, um drone caiu próximo à usina nuclear de Barakah, nos Emirados Árabes Unidos, provocando um incêndio. Segundo autoridades de Abu Dhabi, não houve feridos nem aumento nos níveis de radioatividade.
O Ministério da Defesa emiradense informou que o aparelho fazia parte de um grupo de três drones que entraram no país “pela fronteira ocidental”. De acordo com o governo local, o projétil atingiu um gerador elétrico situado fora do perímetro interno da instalação nuclear, localizada na região de Al Dhafra.
No Iraque, grupos armados apoiados pelo Irã detêm drones, assim como os rebeldes houthis do Iêmen, aliados de Teerã e também equipados com esse tipo de armamento.