Recall da Nestlé: desculpas públicas do presidente da multinacional (FABRICE COFFRINI/AFP/Getty Images)
Redação Exame
Publicado em 14 de janeiro de 2026 às 15h20.
A Nestlé (NESN) intensificou seus esforços para minimizar os impactos do recall global de fórmulas infantis e de seguimento após a detecção de cereulide, uma toxina produzida pela bactéria Bacillus cereus. O episódio levou o diretor-presidente da companhia, Philipp Navratil, a divulgar um pedido público de desculpas.
"Antes de explicar a situação em mais detalhes, quero primeiro pedir desculpas sinceras pela preocupação e pelo transtorno que isso pode ter causado aos pais, cuidadores e nossos clientes", afirmou Navratil em um vídeo publicado pela empresa na noite de terça-feira, 13.
Segundo o executivo, todos os recalls já foram anunciados. Navratil também afirmou que, até o momento, não há casos confirmados de doenças relacionadas aos produtos.
O recall representa mais um revés para a gigante suíça de bens de consumo após um 2025 desafiador e aumenta a pressão sobre o CEO, que assumiu o comando em setembro do ano passado com a missão de retomar o crescimento da companhia por meio de uma revisão do portfólio.
Em dezembro, a Nestlé confirmou um problema de qualidade em uma de suas fábricas na Holanda, o que levou a um recall preventivo em países europeus onde os produtos foram distribuídos a partir dessa unidade.
No dia 7 de janeiro, a empresa ampliou a medida e iniciou um recall global de fórmulas infantis e de seguimento, após identificar a toxina em insumos utilizados na fábrica holandesa.
A decisão envolveu lotes específicos comercializados em diversos países, incluindo o Brasil, onde a ação ocorre em paralelo à determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que proibiu a comercialização, distribuição e uso de determinados lotes.
De acordo com a BBC, os produtos afetados foram comercializados em mercados como França, Alemanha, Áustria, Dinamarca, Itália e Suécia, além de outros fora da Europa. A empresa afirmou que a medida se restringe aos lotes identificados e que os demais produtos não são afetados.
No Brasil, a Anvisa destacou que o recall tem caráter preventivo e envolve exclusivamente os lotes listados em resolução publicada nesta quarta-feira.
A agência alertou que o consumo de alimentos contaminados por cereulide pode causar vômitos persistentes, diarreia e letargia, e orientou pais e responsáveis a verificarem o número do lote impresso na embalagem e a não utilizarem os produtos incluídos no recolhimento.
Além dos impactos regulatórios e operacionais, o recall levantou preocupações sobre os efeitos da crise na China, um dos principais mercados globais de fórmulas infantis.
Analistas avaliam que o episódio pode ser “bastante prejudicial” no país, onde a Nestlé ocupa posição de destaque em um mercado estimado em cerca de 185 bilhões de yuans (US$ 26,5 bilhões) em 2025, segundo a Daxue Consulting à Reuters.
Na semana passada, a Administração Estatal de Regulação do Mercado da China instou a Nestlé a “cumprir sua responsabilidade corporativa”, recolher os lotes relevantes e proteger os consumidores.
Analistas do banco britânico multinacional Barclays também apontaram a pressão das autoridades chinesas e ressaltaram que a questão é especialmente sensível no país por conta de episódios anteriores de contaminação de leite, envolvendo diferentes produtores, que ainda influenciam a percepção dos responsáveis por crianças, principalmente.