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Melhor que a Netflix: após negativa, Paramount insiste em comprar a Warner

Em documento oficial, a empresa Paramount que sua proposta pela Warner é 'superior' à da Netflix

Paramount: empresa mantém sua oferta hostil após negativa da Warner (	frankpeters/Getty Images)

Paramount: empresa mantém sua oferta hostil após negativa da Warner ( frankpeters/Getty Images)

Paloma Lazzaro
Paloma Lazzaro

Estagiária de jornalismo

Publicado em 8 de janeiro de 2026 às 16h13.

Última atualização em 8 de janeiro de 2026 às 16h31.

A venda da Warner tem sido um embate de gigantes de Hollywood nos últimos meses. Nesta quinta-feira, 8, a Paramount Skydance reiterou sua proposta de compra por US$ 30 por ação, que chega a um montante de US$ 108,4 bilhões por todos os ativos da empresa, mesmo após sucessivas rejeições do conselho da Warner Bros Discovery (WBD).

A Paramount disse que sua oferta é superior ao acordo atualmente existente entre WBD e Netflix, representando o melhor caminho para os acionistas da Warner. "Os US$ 30,00 por ação em dinheiro são de fácil avaliação. A transação com a Netflix, por outro lado, contém múltiplos componentes incertos e já teve seu valor total reduzido", disse a companhia em comunicado.

A Paramount tornou pública a oferta poucos dias depois de a Warner ter anunciado o acordo com a Netflix para a venda do estúdio e dos negócios de streaming da companhia, deixando de fora outros ativos do grupo.

A Paramount afirma ainda que tratou de forma diligente e construtiva cada preocupação levantada pela WBD. O comunicado ressalta a "garantia pessoal irrevogável" do fundador da Oracle, Larry Ellison, para a parcela de capital próprio do financiamento, anunciada no final de dezembro.

 “Nossa oferta oferece claramente aos investidores da WBD maior valor e um caminho mais certo e acelerado para a conclusão", escreveu David Ellison, presidente do conselho e CEO da Paramount.

Análise de mercado da Paramount

Segundo a Paramount, o lance da Netflix é inferior porque combina diferentes componentes de valor e já sofreu perda desde o anúncio inicial. Em dezembro, o acordo previa o pagamento de US$ 23,25 por ação em dinheiro, US$ 4,50 em ações da Netflix e uma participação no spin-off planejado da Discovery Global.

No entanto, a empresa afirma que o preço das ações da Netflix passou a ser negociado bem abaixo do limite inferior do chamado collar — mecanismo que estabelece uma faixa de variação para a troca de ações. Isso teria reduzido o valor efetivo oferecido aos acionistas da WBD. Com base nessa desvalorização e em sua própria análise, a Paramount calcula que o valor total atual da transação da Netflix seja de US$ 27,421 por ação, abaixo dos US$ 30,00 em dinheiro oferecidos por ela.

Outro ponto destacado é a incerteza em torno do valor da Discovery Global, empresa que surgirá da separação dos ativos lineares da WBD.

A Paramount afirma que o conselho da WBD não divulgou análises que permitam aos acionistas avaliar o valor dessa participação futura.

A análise da Paramount atribui valor fundamental de US$ 0,00 por ação à Discovery Global, ainda que reconheça, apenas de forma ilustrativa, a possibilidade teórica de até cerca de US$ 0,50 por ação como valor opcional de fusões e aquisições.

Por que a Warner negou a oferta?

“O conselho de administração determinou, por unanimidade, que a nova oferta da Paramount Skydance continua inadequada”, afirmou a Warner Bros. Discovery, destacando dúvidas sobre a capacidade da compradora de executar a operação e os riscos financeiros envolvidos.

Desde dezembro, a Paramount revisou sua proposta duas vezes. A versão mais recente incluiu uma garantia do bilionário Larry Ellison, que se comprometeu a assegurar pessoalmente US$ 40,4 bilhões em financiamento de capital próprio, além de outros compromissos financeiros ligados à transação.

Na carta divulgada, a Warner Bros. Discovery mencionou ainda a relação complexa com a Paramount, que, segundo reportagem do New York Post, avalia a possibilidade de recorrer à Justiça caso sua proposta de compra seja recusada.

A Paramount é controlada por Larry Ellison e por seu filho, David Ellison, produtor de cinema que vem ampliando sua atuação no setor ao montar um conglomerado de mídia. A disputa ocorre em meio a um processo de consolidação do mercado de entretenimento e streaming, com grandes grupos buscando escala e redução de custos.

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