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Lucro da Honda cai 48% com tarifas e custos de carros elétricos

Em contraste com a unidade automobilística, o segmento de motocicletas alcançou resultados recordes para o período

Honda: divisão de automóveis registrou prejuízo, mas motocicletas bateram recordes. (Ramon Costa/Getty Images)

Honda: divisão de automóveis registrou prejuízo, mas motocicletas bateram recordes. (Ramon Costa/Getty Images)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 10 de fevereiro de 2026 às 09h58.

A Honda registrou um lucro operacional de 591,5 bilhões de ienes (R$ 19,5 bilhões, em média) nos nove meses do ano fiscal de 2025, encerrado em 31 de dezembro.

O valor representa uma queda de 48,1% em comparação aos 1.139,9 bilhões de ienes obtidos em igual período de 2024, influenciado por tarifas de importação e custos extraordinários no segmento de veículos elétricos (EVs).

A divisão de automóveis apresentou um prejuízo operacional de 166,4 bilhões de ienes, resultando em uma margem operacional negativa de 1,6%.

O desempenho foi impactado por 279,5 bilhões de ienes em tarifas e por gastos únicos de 267,1 bilhões de ienes relacionados aos EVs.

As despesas em carros elétricos envolvem provisões para perdas e depreciação de modelos comercializados nos Estados Unidos (EUA), além da baixa contábil de ativos de desenvolvimento devido a mudanças planejadas na linha de produtos.

Caso esses custos extraordinários e o impacto das tarifas fossem desconsiderados, o lucro operacional do negócio automotivo seria de, aproximadamente, 380,2 bilhões de ienes.

Esse valor manteria a margem operacional do setor em 3,6%, patamar próximo ao registrado nos nove meses do exercício anterior.

Resultados do setor de motocicletas batem recordes

Em contraste com a unidade automobilística, o segmento de motocicletas alcançou resultados recordes para o período.

O lucro operacional dessa divisão atingiu 546,5 bilhões de ienes, com uma margem de 18,6%, sustentado pela continuidade das vendas em mercados como Índia e Brasil.

No recorte do terceiro trimestre fiscal isolado, ou seja, de outubro a dezembro de 2025, o lucro operacional consolidado da Honda foi de 153,3 bilhões de ienes, uma queda de 61,4% em relação aos 397,3 bilhões de ienes do trimestre equivalente do ano anterior.

A administração da Honda apontou, no balanço, que a "competição intensificada nos mercados automobilísticos asiáticos levou a incentivos mais altos e a um ambiente de negócios incerto".

Além disso, a empresa sinalizou preocupações com a logística global, afirmando que "riscos de fornecimento envolvendo terras raras, memórias e outros materiais estão surgindo".

Previsões fiscais e reformas estratégicas

Para o fechamento do ano fiscal em 31 de março de 2026, a Honda manteve sua previsão de lucro operacional em 550 bilhões de ienes, o que representaria uma redução de 54,7% em relação ao ano fiscal anterior.

A receita de vendas projetada para os 12 meses completos é de 21,1 trilhões de ienes, um recuo de 2,7%.

A Honda planeja, ainda, concluir o ajuste de perdas ligado aos modelos atuais de EVs na América do Norte no ano fiscal atual.

O balanço indica o lançamento de reformas estruturais para o controle de custos e o foco no desenvolvimento de novas gerações de veículos híbridos e sistemas avançados de assistência ao condutor.

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