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Ibovespa interrompe sequência de altas e fecha em baixa de 1,4%; dólar sobe

A aversão ao risco aumentou após Trump afirmar que não sabe se será possível fechar um acordo de cessar-fogo com o regime iraniano

Ibovespa recua: referência acionária brasileira caiu 1,45%, aos 182.732 pontos, depois de ter atingido na véspera o patamar de 185 mil pontos que não alcançava há 15 dias (Marcos Issa/Bloomberg/Bloomberg)

Ibovespa recua: referência acionária brasileira caiu 1,45%, aos 182.732 pontos, depois de ter atingido na véspera o patamar de 185 mil pontos que não alcançava há 15 dias (Marcos Issa/Bloomberg/Bloomberg)

Publicado em 26 de março de 2026 às 17h36.

O principal índice acionário da B3, o Ibovespa, interrompeu a sequência de três altas e encerrou em forte queda nesta quinta-feira, 16. O indicador caiu 1,45%, aos 182.732 pontos, depois de ter atingido na véspera o patamar de 185 mil pontos que não alcançava há 15 dias.

O dólar à vista também voltou a subir frente ao real, registrando alta de 0,69%, cotado a R$ 5,256.

Os ativos domésticos voltaram a ser guiados pela guerra no Oriente Médio. Se, na véspera, declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a possibilidade de um cessar-fogo — além do envio de uma proposta de paz com 15 pontos ao Irã — levaram investidores a precificar um cenário de desescalada, nesta quinta-feira prevaleceu a cautela diante das dificuldades nas negociações.

A aversão ao risco aumentou após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que não sabe se será possível fechar um acordo de cessar-fogo com o regime iraniano. "Não sei se seremos capazes de fazer isso", disse durante reunião de gabinete na Casa Branca.

Apesar de reconhecer os iranianos como "grandes negociadores", Trump também elevou o tom e ameaçou novos ataques caso não haja acordo.

O cenário mantém os mercados sob pressão, com o petróleo novamente em alta diante do risco de interrupções no fornecimento global — especialmente com tensões envolvendo o estratégico Estreito de Ormuz.

No encerramento das negociações nesta quinta, o contrato para maio do petróleo do tipo Brent, referência global, avançou 5,66%, fechando a US$ 108,01 por barril. Já o WTI, referência americana, subiu 4,61%, a US$ 94,48 por barril. No acumulado de março, a commodity já registra valorização de 43,6%, em um dos movimentos mais intensos da história recente do mercado de energia.

Na bolsa brasileira, o movimento de queda foi disseminado: dos 82 papéis que compõem o índice, 69 fecharam em baixa, incluindo ações de peso como a Vale e os grandes bancos.

Na contramão, os papéis da Petrobras (PETR3) ficaram entre as únicas seis altas do dia, lideradas pela Brava Energia (BRAV3), que subiu 5,02%. As ações de Prio (PRIO3) também avançaram mais de 2%. As petroleiras foram impulsionadas pela disparada do petróleo no mercado internacional.

"O mercado acompanhou o movimento global, reagindo ao noticiário — ou melhor, ao desencontro de informações. Em alguns momentos, há sinalizações de avanço nas negociações por um cessar-fogo; em outros, isso é colocado em dúvida. Esse cenário segue gerando muita incerteza e volatilidade", afirmou Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos.

"Hoje, especificamente, os mercados reagiram a declarações que indicam que as negociações não avançaram tanto quanto se esperava. Isso levou a um movimento de realização. Na contramão, o petróleo voltou a subir, o que sustentou as ações de petroleiras. Petrobras avançou entre 1% e 2%, assim como a Prio, enquanto a Brava destoou, com alta de 5%, possivelmente por estar mais defasada em relação às demais do setor", acrescentou.

Ásia, Europa e EUA fecham em queda

O ambiente de aversão a risco também se refletiu nas bolsas internacionais. Na Ásia, os principais índices fecharam em queda, com destaque para o Kospi, da Coreia do Sul, que recuou 2,7%.

O índice Nikkei, da bolsa do Japão, reverteu ganhos iniciais e fechou em queda de 0,7%. O índice sul-coreano Kospi recuou 2,7%, e o Hang Seng, de Hong Kong, perdeu 1,7%, segundo dados compilados pela Reuters.

O índice MSCI de ações da Ásia-Pacífico, excluindo o Japão, caiu mais de 1% e encaminha-se para uma queda de 9,5% em março, consolidando-se como o pior desempenho mensal desde outubro de 2022.

Na Europa, as bolsas também encerram no campo negativo. O índice pan-europeu Stoxx 600 cedeu 1,17%. Assim como a Bolsa de Londres, que recuou 1,33%, Paris perdeu 0,98%, Frankfurt cedeu 1,50%. O índice de Milão também registrou queda de 0,71%.

A tensão se estendeu aos Estados Unidos, onde os índices fecharam em queda. O Dow Jones recuou 1,01%, enquanto o S&P 500 e o Nasdaq cederam 1,74% e 2,38%, respectivamente. A forte queda do Nasdaq teve por trás grandes empresas como Meta, que caiu quase 8%; Alphabet, com queda de 3,43% e Nvidia, baixa de 4,16%.

Repercussão da prévia da inflação brasileira

No Brasil, além do cenário externo, investidores repercutem o IPCA-15 de março, que subiu 0,44%, desacelerando em relação aos 0,84% de fevereiro, mas acima da expectativa do mercado. Em 12 meses, a prévia da inflação acumula alta de 3,9%.

Para André Valério, economista sênior do Banco Inter, o dado reforça que a piora recente da inflação teve caráter sazonal e que o processo de desinflação segue em curso. Ainda assim, ele alerta que os efeitos do conflito no Oriente Médio ainda não foram plenamente capturados pelo índice.

Segundo o economista, a alta do petróleo — superior a 40% desde o início da guerra — deve pressionar os preços de combustíveis nos próximos meses, especialmente a gasolina. Além disso, a interrupção no fluxo do Estreito de Ormuz tende a elevar a inflação de alimentos, que já mostrou aceleração em março.

"Os combustíveis recuaram 0,03% em março, mas no IPCA cheio devemos observar uma pressão inflacionária mais significativa vindo da gasolina, dado que o barril de petróleo aumentou mais de 40% desde o início do conflito. Além disso, a interrupção no fluxo do Estreito de Ormuz tende a pressionar a inflação de alimentos, que em março acelerou significativamente", afirmou Valério.

Apesar disso, a expectativa é de continuidade no ciclo de cortes da Selic, ainda que com cautela. A projeção do Banco Inter é de uma nova redução de 25 pontos-base na reunião de maio, condicionada à evolução do conflito e seus impactos sobre a inflação.

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