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Vista de Seoul: capital da Coreia do Sul (tawatchai07/Freepik)
Editor
Publicado em 30 de maio de 2026 às 11h48.
O avanço da inteligência artificial está levando a Coreia do Sul a discutir uma questão que poucos países enfrentaram até agora: como distribuir os ganhos extraordinários produzidos pela economia da IA.
Autoridades sul-coreanas estudam utilizar parte da arrecadação gerada pela indústria de semicondutores para financiar mecanismos de redistribuição de renda e investimentos públicos.
A discussão ganhou força após o crescimento explosivo de empresas como Samsung e SK Hynix, que ultrapassaram a marca de US$ 1 trilhão em valor de mercado e se tornaram pilares da economia nacional.
Kim Yong-beom, principal assessor econômico da presidência sul-coreana, chegou a defender a criação de um “dividendo do cidadão”, financiado por receitas geradas pela nova economia da inteligência artificial.
Estimativas indicam que Samsung e SK Hynix poderão gerar mais de 100 trilhões de won em impostos corporativos por ano, valor superior ao esperado anteriormente para todas as empresas do país juntas.
O governo também analisa modelos inspirados em fundos soberanos, semelhantes aos utilizados por países exportadores de petróleo, para administrar parte dessa riqueza.
A preocupação central é evitar que os ganhos fiquem concentrados apenas em acionistas, executivos e profissionais altamente especializados.
O ministro do Trabalho da Coreia do Sul afirmou recentemente que não existe precedente histórico para administrar um ciclo de prosperidade baseado em inteligência artificial e semicondutores.
Embora o Brasil ainda esteja distante de liderar a produção global de chips, a discussão sobre tributação da IA e redistribuição de riqueza pode ganhar relevância nos próximos anos.
O avanço da automação tende a aumentar a produtividade e os lucros de empresas intensivas em tecnologia, enquanto parte da força de trabalho pode enfrentar maior pressão sobre salários e empregos.
A experiência da Coreia do Sul sugere que governos começam a olhar para a IA não apenas como uma revolução tecnológica, mas também como um desafio de política econômica e distribuição de renda.