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Ibovespa acompanha cautela global com ultimato de Trump sobre Ormuz

Dólar tem reação tímida após recuar para o menor valor em quase dois meses

Ibovespa hoje: mercado acompanha cautela global (Germano Lüders/Exame)

Ibovespa hoje: mercado acompanha cautela global (Germano Lüders/Exame)

Mitchel Diniz
Mitchel Diniz

Editor de Invest

Publicado em 7 de abril de 2026 às 10h21.

O mercado de ações no Brasil acompanha o sentimento de cautela no exterior. Nesta terça-feira, 7, termina o prazo que o presidente americano Donald Trump deu para a reabertura do Estreito de Ormuz. Nas redes sociais, em tom ameaçador, ele prometeu dizimar uma civilização inteira caso a ordem não seja o cumprida. O petróleo volta a subir, sobretudo o WTI, que já está US$ 5 mais caro que o Brent. Ambos são negociados acima dos US$ 100.

A alta do preço da matéria-prima costuma dar impulso às ações de petrolíferas, sobretudo a Petrobras, segunda empresa de maior peso do Ibovespa. Mas o índice começou o dia em baixa, enquanto o mercado também avalia o impacto fiscal das medidas do governo para evitar que a alta do petróleo chegue ao consumidor final, como as subvenções ao diesel e a isenção de impostos sobre o combustível de aviação.

Às 10h12 (horário de Brasília), o Ibovespa caia 0,4%, aos 187.431 pontos.

O dólar comercial, que fechou no menor preço em quase dois meses na sessão de ontem, tinha uma ligeira alta no mesmo horário, subindo 0,18%.

Bolsas nos Estados Unidos

Os futuros das bolsas americanas operam em queda, com o clima de tensão se intensificando conforme o prazo dado por Trump para a abertura do Estreito de Ormuz se aproxima do fim. Os contratos futuros do S&P 500, Nasdaq e Dow Jones cedem.

O tom do mercado ficou ainda mais pesado após o presidente americano publicar uma mensagem no Truth Social nesta manhã. "Uma civilização inteira vai morrer esta noite, para nunca mais ser reconstituída", escreveu o presidente. Em seguida, abriu uma brecha: disse que, com a mudança de regime no Irã, "algo revolucionariamente maravilhoso pode acontecer". Os futuros reagiram negativamente à publicação, mas as perdas seguiram contidas.

O prazo dado por Trump expira às 21h (horário de Brasília). O presidente ameaça destruir usinas e pontes iranianas caso isso não aconteça. Há ainda relatos não confirmados de que forças americanas já teriam realizado ataques a alvos militares na Ilha de Kharg. A ilha é responsável por cerca de 90% das exportações de petróleo iraniano, e a notícia dos bombardeios empurrou o WTI (petróleo dos Estados Unidos) para cima de US$ 115 o barril, alta de quase 2,5%.

Analistas do Société Générale avaliam três cenários para os preços: se o conflito se arrastar até maio, o barril pode bater uma média de US$ 125. No pior cenário — com o fechamento não só do Estreito de Ormuz, mas também do Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho —, os preços poderiam ultrapassar US$ 200, com impacto direto sobre as exportações sauditas e russas.

As negociações seguem em curso. O Wall Street Journal apurou que os negociadores não acreditam que um acordo seja possível antes do prazo. A agência Axios reportou que EUA e Irã discutem um cessar-fogo de 45 dias que poderia levar ao fim definitivo da guerra — mas essa é apenas uma das ideias na mesa.

Na agenda do dia, o relatório ADP mostrou que a economia americana criou em média 26.000 vagas de trabalho por semana no setor privado, nas quatro semanas encerradas em 21 de março — mais que o dobro das 10.000 registradas no levantamento anterior. É o quarto resultado consecutivo de melhora no mercado de trabalho, sinal de que as empresas seguem contratando apesar da turbulência geopolítica.

Bolsas na Europa

As bolsas europeias voltaram do feriado de Páscoa de quatro dias sem conseguir manter uma direção clara nesta terça-feira. O índice pan-europeu Stoxx 600 oscilou entre altas e baixas ao longo da manhã, operando perto da estabilidade.

O quadro é misto entre as principais praças: Paris e Madri avançavam, enquanto Frankfurt recuava 0,12% e Londres ficava praticamente no zero a zero.

Os destaques da agenda são os dados de PMI de serviços de março do Reino Unido e da zona do euro, trazendo as primeiras pistas sobre o impacto econômico da guerra na Europa.

Bolsas na Ásia

Os mercados asiáticos fecharam sem direção definida nesta terça-feira, com investidores na expectativa pelo prazo dado por Trump ao Irã para fechar um acordo de cessar-fogo.
A Austrália foi o destaque positivo da região, com alta de 1,74%. No Japão, o pregão foi de quase total estabilidade. Na Coreia do Sul, o índice das grandes empresas subiu 0,82%, mas as pequenas e médias recuaram mais de 1%.

A China continental também fechou no zero a zero, e Hong Kong nem abriu — feriado de Páscoa por lá. A Índia conseguiu virar o jogo no fim do pregão e fechou levemente no positivo, após operar no vermelho durante boa parte do dia.

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