Bolsa brasileira segue atrativa: o diferencial de juros e o valuation seguem no centro da tese para Brasil (Cris Faga/Getty Images)
Repórter
Publicado em 7 de abril de 2026 às 12h17.
O fim da guerra no Irã pode abrir espaço para uma nova onda de entrada de capital estrangeiro na bolsa brasileira, afirmaram nesta terça-feira, 7, algumas das principais gestoras de ativos do país.
"Uma vez que essa guerra termine, devemos voltar a ter um fluxo de estrangeiro [para a bolsa brasileira] vindo da diversificação dos investidores americanos", afirmou Rodrigo Santoro, head de equities da Bram durante painel do 12th Brazil Investment Forum, evento anual voltado para investidores e executivos, realizado pelo Bradesco BBI, em São Paulo.
Segundo ele, esse movimento ocorre em um contexto em que os investidores globais passaram a ser posicionar em mercados emergentes em meio ao enfraquecimento do dólar no mundo.
Mesmo com a guerra, o fluxo estrangeiro já tem se mostrado resiliente. Dados da B3 indicam entrada líquida de R$ 53,8 bilhões em 2026 até março, com os investidores internacionais respondendo por mais de 60% do volume negociado no período.
Apenas em janeiro, o capital gringo foi superior a R$ 25 bilhões, acima de todo o acumulado no ano passado, mas desde então, o total alocado foi dimuindo, alcançando R$ 11,9 bilhões em março, ante R$ 15,3 bilhões em fevereiro.
Ainda assim, os gestores avaliam que há espaço para uma aceleração adicional desses aportes em um cenário de normalização geopolítica.
"No último mês, houve uma saída desses mercados, mas ainda assim o fluxo estrangeiro permaneceu relevante. No Brasil, por exemplo, já entraram cerca de R$ 50 bilhões no ano, um volume bastante significativo. A nossa visão é que, com o fim da guerra, esse fluxo estrangeiro deve se intensificar novamente dentro desse movimento de diversificação", afirmou o gestor da Bram.
No curto prazo, porém, a duração do conflito segue como principal variável de risco. Para André Caldas, partner e equity portfolio manager da Springs Capital, o mercado tem acompanhado sinais de que a guerra pode ser mais curta do que o inicialmente temido, o que reduziria seus impactos sobre a economia global.
"O ponto mais positivo que vimos nas últimas duas semanas foi o Irã começar a sinalizar caminhos para encerrar a guerra. Isso mostra que o país está sendo afetado. No início do conflito, não havia dúvida de que haveria ataques à infraestrutura, especialmente ao setor de petróleo, porque era o principal instrumento de pressão naquele momento. Mas, a partir da semana passada, o Irã passou a indicar o que seria necessário para um acordo", disse o gestor.
"Além disso, o fato de os Estados Unidos estarem negociando diretamente com o Irã, reduzindo o protagonismo de Israel, reforça a percepção de uma duração mais curta do conflito. Isso na minha opinião demonstra que essa guerra não deve durar três ou seis meses", acrescentou.
Segundo ele, um conflito prolongado poderia manter o preço do petróleo elevado e abrir espaço para uma recessão global, o principal "risco de cauda" no cenário atual.
Mas a avaliação predominante entre os gestores é que o choque tende a ser transitório.
Paralelamente ao cenário externo, o diferencial de juros e o valuation seguem no centro da tese para Brasil.
Para Sara Delfim, sócia da Dahlia Capital, mesmo após a alta recente, ainda há oportunidades relevantes na bolsa. "O valuation ele segue atrativo e num nível barato", afirmou, destacando a combinação de juros ainda elevados, perspectiva de corte e dólar mais fraco como um vetor "muito poderoso para a bolsa no Brasil".
Os investidores estrangeiros devem continuar sendo o principal motor do mercado acionário brasileiro, ao menos no curto e médio prazo, diante da menor participação do investidor local, ainda pressionado pelo alto custo de oportunidade na renda fixa.
De acordo com o BTG, os investidores institucionais locais foram os principais vendedores neste mês , com venda líquida de R$ 8,2 bilhões, e no acumulado do ano houve a retirada de R$ 38,5 bilhões.
"Até lá o grande driver vai continuar sendo um investidor estrangeiro que vê a bolsa com outro custo de oportunidade, Então provavelmente o que a gente vai ver ao longo desse ano ainda é um peso grande dos investidores estrangeiros", afirmou Santoro.
A avaliação é reforçada por outros gestores do painel, que destacaram a diferença de comportamento entre investidores locais e estrangeiros. Enquanto o doméstico permanece concentrado na renda fixa, atraído pelos juros reais elevados, o capital internacional tem se beneficiado do desconto dos ativos brasileiros e sustentado o fluxo positivo para a bolsa em 2026.
" investidor estrangeiro não se prendeu ao nível de juros local e aproveitou o fato de os ativos estarem baratos, enquanto o investidor doméstico ficou muito focado no juro real — nessa ideia de ganhar 10% ao ano, e acabou não capturando a performance da bolsa", disse André Lion, partner and portfolio manager da Ibiuna Investimentos.