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Ibovespa fecha em leve baixa e interrompe sequência de recordes

O principal índice da B3 recuou 0,08%, aos 178.720 pontos com Vale entre as maiores quedas do dia

Ibovespa: no balanço do dia, dos 84 papéis que compõem o Ibovespa, 20 fecharam em alta, 29 ficaram estáveis e 26 recuaram (Germano Lüders/Exame)

Ibovespa: no balanço do dia, dos 84 papéis que compõem o Ibovespa, 20 fecharam em alta, 29 ficaram estáveis e 26 recuaram (Germano Lüders/Exame)

Publicado em 26 de janeiro de 2026 às 18h41.

Última atualização em 26 de janeiro de 2026 às 19h04.

O Ibovespa fechou em leve queda nesta segunda-feira, 26, em um pregão marcado por realização de lucros após uma sequência de recordes e pela expectativa em torno da chamada "super quarta", quando os bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos decidem os próximos passos da política monetária.

O principal índice da B3 recuou 0,08%, aos 178.720 pontos. Na sessão anterior, na sexta-feira, 25, o Ibovespa havia encerrado no maior nível da história, aos 178.859 pontos, depois de tocar, pela primeira vez, os 180 mil pontos ao longo do pregão.

Segundo Danilo Coelho, economista e especialista em investimentos, o movimento observado nesta segunda é típico após uma forte escalada recente do índice. "A bolsa vem de uma puxada muito intensa. Saímos da região dos 165 mil pontos para negociar perto dos 180 mil em poucas semanas, com uma pernada muito forte só nos últimos quatro dias, quando o índice avançou mais de 10 mil pontos", afirma.

De acordo com ele, a realização se concentrou justamente nos setores que vinham renovando máximas históricas, como energia e indústria. “As empresas que mais caem hoje estão nesses segmentos, como Cemig, Usiminas, Axxis e Eneva", diz.

Por outro lado, ações mais sensíveis ao ciclo de juros conseguiram se destacar no campo positivo, diante da expectativa de início de cortes na taxa básica ainda no primeiro semestre. "Empresas como Localiza e Natura subiram justamente por essa leitura de queda de juros", afirma Coelho.

Também avançaram papéis industriais que vinham pressionados por questões de crédito, como Raízen e Braskem, sustentados pela perspectiva de alívio no custo da dívida e pelos processos de reestruturação em curso.

No balanço do dia, dos 84 papéis que compõem o Ibovespa, 20 fecharam em alta, 29 ficaram estáveis e 26 recuaram. Entre as maiores altas estiveram Weg (WEGE3), com avanço de 3,49%, Cogna (COGN3), que subiu 3,17%, e Natura (NATU3), com ganho de 2,55%. As ações da Localiza (RENT4) lideraram com 3,59% de ganhos.

Na ponta negativa, Marfrig (MRFG3) liderou as perdas, com queda de 3,57%.

Vale cai forte após caso de transbordamento

As ações da Vale (VALE3) também tiveram desempenho fraco e recuaram 2,29%, figurando entre as maiores baixas do dia.

O papel da mineradora aprofundou as perdas após a companhia confirmar um novo episódio de transbordamento de água em uma de suas minas em Congonhas, em Minas Gerais, um dia depois de ocorrência semelhante em uma operação em Ouro Preto, no mesmo estado.

Em comunicado, a Vale informou que os dois episódios foram rapidamente controlados, sem feridos ou impactos às comunidades do entorno, e reforçou que não há qualquer relação com barragens de rejeitos, que seguem sendo monitoradas continuamente.

Apesar disso, a leitura do mercado foi negativa. "Mesmo com a empresa deixando claro que não houve rompimento de barragens nem danos, qualquer incidente desse tipo remete imediatamente ao histórico operacional mais sensível da Vale", afirma Gabriel Cecco, especialista da Valor Investimentos.

Segundo ele, a reação foi amplificada por um fator simbólico, diz ele. "Há uma coincidência muito ruim de datas, já que o episódio ocorreu justamente na semana em que se completam sete anos do desastre de Brumadinho. Isso mexe com a confiança, não tem jeito".

O especialista destaca ainda que o ambiente mais volátil do pregão e o forte ganho acumulado pelas ações da mineradora nas últimas semanas ajudaram a acelerar o movimento.

"Quando surge um tema ambiental, mesmo que tecnicamente distinto de uma barragem de rejeitos, o investidor que está carregando lucro tende a realizar. É uma combinação de percepção de risco, mercado mais bagunçado no dia e efeito técnico de realização”, diz.

Bolsas em NY avançam

No exterior, as bolsas de Nova York encerraram o dia em alta, embaladas principalmente pelas ações de grandes empresas de tecnologia, em uma semana marcada por divulgação de balanços corporativos e pela expectativa em torno da decisão do Federal Reserve, na quarta-feira.

O Dow Jones avançou 0,64%, aos 49.412,40 pontos. O S&P 500 subiu 0,50%, aos 6.950,24 pontos, enquanto o Nasdaq teve alta de 0,43%, aos 23.601,36 pontos. Entre os destaques, Meta avançou 2,10%, Apple subiu 2,97% e Microsoft ganhou 0,89%, enquanto Amazon recuou 0,31% e Tesla caiu 3,09%.

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