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‘Lamento que meu país tenha considerado se opor ao Mercosul’, diz chefe do banco central da França

François Villeroy de Galhau destacou que a França defende por anos uma Europa soberana e independente dos Estados Unidos

François Villeroy de Galhau, governador do Banco da França (BdF), afirma que o acordo não é responsável pela crise enfrentada pela agricultura francesa  (MARTIN LELIEVRE / Colaborador/Getty Images)

François Villeroy de Galhau, governador do Banco da França (BdF), afirma que o acordo não é responsável pela crise enfrentada pela agricultura francesa (MARTIN LELIEVRE / Colaborador/Getty Images)

Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 16 de fevereiro de 2026 às 20h32.

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Em um cenário marcado por disputas comerciais, fragmentação geopolítica e incertezas no sistema internacional, o acordo entre União Europeia e Mercosul voltou ao centro do debate europeu. Nesta segunda-feira, 16, François Villeroy de Galhau, governador do Banco da França (BdF), lamentou publicamente a oposição francesa ao tratado, avaliando que a decisão contraria a necessidade de ampliar alianças comerciais em um momento de instabilidade global, segundo informações da agência espanhola EFE.

“Lamento que meu país tenha considerado inteligente se opor ao Mercosul”, disse Villeroy de Galhau.

A declaração foi feita no encerramento de um colóquio da Associação Europa Finanças e Regulamentações, dedicado às mudanças geopolíticas e à fragmentação econômica global. Para o dirigente do banco central francês, a Europa precisa reagir às pressões externas; especialmente às posições do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com mais protagonismo econômico e político.

“Falamos demais sobre Trump e não o suficiente sobre o que podemos fazer por nós mesmos”, afirmou. Segundo ele, fortalecer a integração europeia e ampliar alianças comerciais estratégicas são passos essenciais nesse processo.

Acordo UE-Mercosul divide a França

Nesse contexto, Villeroy de Galhau criticou explicitamente a oposição francesa ao acordo com o Mercosul. Paris votou contra o tratado em 9 de janeiro, embora a minoria contrária não tenha sido suficiente para barrar sua aprovação inicial.

Posteriormente, em 21 de janeiro, deputados franceses apoiaram o envio do acordo ao Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE), o que tende a suspender sua aplicação enquanto o caso é analisado.

O governo francês justifica a resistência ao tratado citando riscos para setores agrícolas nacionais, principalmente produtores de carne bovina e de frango. Entre as demandas estão cláusulas de salvaguarda adicionais, exigências sanitárias equivalentes (“cláusulas espelho”) e maior controle alfandegário.

Benefícios potenciais para indústria e agricultura

O governador do BdF, porém, contesta essa leitura. Segundo ele, o acordo não é responsável pela crise enfrentada pela agricultura francesa e sua rejeição não solucionaria o problema.

Ao contrário, Villeroy de Galhau avalia que o tratado poderia abrir oportunidades para a indústria francesa e até para segmentos agrícolas específicos, como o setor leiteiro.

*Com informações da agência EFE

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