Ibovespa nesta segunda, 26: dos 84 papéis que compõem o Ibovespa, 38 operam em baixa nesta sessão (Germano Lüders/Exame)
Repórter
Publicado em 26 de janeiro de 2026 às 12h57.
Última atualização em 26 de janeiro de 2026 às 14h05.
O Ibovespa recua nesta segunda-feira, 26, em um pregão marcado por realização de lucros após uma sequência de recordes e pela expectativa em torno da chamada "super quarta", quando os bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos decidem os rumos da política monetária.
Investidores também acompanham a divulgação de balanços corporativos e indicadores econômicos ao longo da semana.
Por volta das 12h30, o principal índice da B3 recuava 0,19%, aos 178.527 pontos. Na sessão anterior, o Ibovespa havia encerrado no maior nível da história, aos 178.859 pontos, depois de tocar pela primeira vez os 180 mil pontos.
Segundo Gabriel Cecco, especialista da Valor Investimentos, o movimento é típico após uma sequência de máximas históricas. "Depois de quatro recordes seguidos, o índice passa por um processo natural de acomodação. Parte dos investidores aproveita para realizar lucros, enquanto outros começam a precificar riscos adicionais de curto prazo, dado o nível esticado dos preços", afirma.
Os investidores repercutem o Boletim Focus, divulgado mais cedo, que mostrou nova redução na expectativa de inflação para 2026, de 4,02% para 4,00%, reforçando a percepção de um ambiente mais favorável para ativos de risco. As projeções para o PIB e para a taxa básica de juros permaneceram estáveis no horizonte até 2029.
A expectativa de crescimento do PIB foi mantida em 1,80% para 2026 e 2027, enquanto as estimativas para 2028 e 2029 seguem em 2,00%. Para a Selic, os analistas mantiveram a projeção em 12,25% em 2026, com recuo gradual para 10,50% em 2027, 10,00% em 2028 e 9,50% em 2029.
A atenção do mercado, porém, segue voltada principalmente para a agenda de política monetária. “A super quarta é extremamente relevante, porque vai dar direção para as taxas de juros e, consequentemente, para a precificação dos ativos de risco globalmente. Além das decisões, o mercado também começa a olhar para o tom das atas que serão divulgadas na próxima semana”, diz Cecco.
Parte da leve queda hoje também pode ter por trás a perda de fôlego do fluxo estrangeiro, que havia impulsionado o rali recente da bolsa brasileira.
Segundo dados da B3, os gringos aportaram R$ 3,4 bilhões no segmento secundário da bolsa, de ações já listadas, até a quinta, 22, sessão em que o Ibovespa avançou 2,93%.
Com 13 pregões consecutivos de entradas e sucessivos recordes do índice, o superávit mensal da categoria alcança R$ 15,7 bilhões, o que já corresponde a mais de 61,8% dos R$ 25,4 bilhões aportados ao longo de todo o ano passado.
"Esse fluxo aparenta estar um pouco mais fraco, em meio às incertezas externas, conflitos geopolíticos e maior volatilidade em setores sensíveis ao ciclo econômico, como bancos e varejo — segmentos com peso relevante no Ibovespa", afirma o especialista.
Dos 84 papéis que compõem o Ibovespa, 38 operam em baixa nesta sessão. Entre os destaques negativos, as ações da Hapvida (HAPV3) recuam 2,62%, liderando as perdas do índice. Segundo Cecco, o papel tem apresentado forte volatilidade recentemente.
"É uma ação que reage de forma muito rápida e intensa a revisões de expectativas de resultado e notícias corporativas, o que acaba afetando a confiança dos investidores no setor de saúde", diz ele.
No campo positivo, Petrobras segue sustentando o índice, mesmo com a queda dos preços internacionais do petróleo. As ações ordinárias (PETR3) avançavam 0,50%, enquanto as preferenciais (PETR4) subiam 0,51%.
O desempenho da estatal contrasta com os preços da commodity no exterior, onde o petróleo opera em baixa, em uma sessão com poucos gatilhos econômicos e geopolíticos. O Brent para março recuava 0,26%, a US$ 65,71, enquanto o WTI cedia 0,41%, a US$ 60,82, impactado por tempestades de inverno nos Estados Unidos que interromperam a produção e causaram cancelamentos de voos.
Já a Vale (VALE3), que abriu o dia em alta, passou a cair 0,27%, acompanhando a queda do minério de ferro no mercado internacional. Na China, os contratos mais negociados da commodity, com vencimento em maio, recuaram 0,95% na Bolsa de Dalian, cotados a 784,5 yuans (US$ 112,4) a tonelada, com investidores avaliando as dinâmicas de oferta e demanda na cadeia.
Os principais índices de Nova York avançam apesar de uma certa cautela com o ambiente geopolítico. No fim de semana, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou tensões comerciais ao ameaçar impor tarifas de 100% sobre produtos canadenses caso o país conclua um acordo comercial com a China, em meio a um contexto de atritos diplomáticos sobre comércio bilateral.
As declarações geraram cautela entre investidores, que também monitoram o risco de uma nova paralisação do governo, o chamado shutdown, potencialmente desencadeada por uma reação da oposição no Senado aos recentes ataques da polícia de imigração dos EUA em Minnesota.
Apesar disso, o índice Dow Jones subia 0,43%. O S&P 500 avançava 0,58% e o Nasdaq tinha alta de 0,63%.