Ibovespa: principal índice da B3 encerrou a semana com perda acumulada de 3,08% (Germano Lüders/Exame)
Repórter
Publicado em 7 de agosto de 2026 às 17h53.
Última atualização em 7 de agosto de 2026 às 18h02.
O Ibovespa fechou em queda de 1,73% nesta sexta-feira, 7, aos 172.513,42 pontos, depois de oscilar entre 172.131,20 e 176.116,84 pontos. O principal índice da B3 encerrou a semana com perda acumulada de 3,08%, em um pregão marcado pela repercussão do balanço da Petrobras, a leitura mais cautelosa do mercado sobre a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) e pela reação ao payroll dos Estados Unidos. O volume financeiro somou R$ 21 bilhões.
O dólar comercial, por sua vez, caiu 0,46%, cotado a R$ 5,084, acompanhando o enfraquecimento da moeda americana no exterior após os dados mais fracos do mercado de trabalho dos Estados Unidos. Na semana, a moeda subiu 0,27%.
A Petrobras reportou lucro líquido de R$ 52,4 bilhões no segundo trimestre, alta anual de 96,8% e acima das expectativas do mercado. O conselho de administração também aprovou R$ 17,4 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio.
Ainda assim, os papéis da companhia recuaram em meio à confirmação pelo 2° trimestre seguido de que a estatal não prevê dividendos extraordinários neste ano. As ações da preferenciais da Petrobras (PETR4) caíram 2,99%, enquanto as ordinárias (PETR3) caíram 3,42%. A Vale (VALE3) também pressionou o índice e caiu 0,56%.
Entre os demais balanços corporativos, Porto (PSSA3) caiu após divulgar lucro praticamente estável no segundo trimestre. Já Magazine Luiza (MGLU3) também fechou em baixa após divulgação do balanço de 2° trimestre.
Na ponta positiva do índice, Fleury (FLRY3) subiu 9,73%, seguido por Azzas (AZZA3), que avançou 5,06%, e PetroReconcavo (RECV3), com alta de 1,59%.
Entre as maiores perdas, Lojas Renner (LREN3) caiu 8,09% após divulgação de balanço em que revisou as projeções de receitas para 2026, seguida por CSN Mineração (CMIN3), que recuou 5,22%, e Energisa (ENGI11), também com queda de 5,22%.No radar macroeconômico local, o Banco Central informou que a caderneta de poupança registrou em julho retiradas líquidas de R$ 7,153 bilhões, o maior volume de saques desde março e o segundo mês consecutivo de resgates. O dado foi divulgado dois dias após o Copom reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano.
O relatório de emprego (payroll) dos Estados Unidos mostrou o fechamento de 23 mil vagas fora do setor agrícola em julho, enquanto o mercado esperava a criação de 85 mil postos de trabalho. Além disso, os números dos dois meses anteriores foram revisados para baixo, reforçando a percepção de desaceleração da economia americana.
O resultado elevou as apostas de manutenção dos juros pelo Federal Reserve (Fed) na reunião de setembro. Segundo levantamento do CME Group, ao fim da sessão, a probabilidade de manutenção dos juros subiu para 58,1%, ante 45% na véspera, enquanto a expectativa de alta passou a 41,9%.
"A Bolsa cai no dia seguinte ao corte de juros, o que parece contraintuitivo, mas o mercado interpretou o comunicado do Copom como ligeiramente hawkish e retirou parte da expectativa de novos cortes. Isso acaba penalizando justamente os ativos mais sensíveis à trajetória de juros", afirma Nicolas Gass, chefe de alocação de investimentos e sócio da GT Capital.
"O dólar caiu pelo mesmo motivo que fez a curva de juros abrir. Se o Copom sinaliza juros elevados por mais tempo, o diferencial de juros do Brasil permanece maior, favorecendo o carry trade e fortalecendo o real", acrescenta.
Os contratos futuros do petróleo avançaram novamente nesta sexta-feira, ampliando os ganhos da sessão anterior, diante da falta de avanços concretos nas negociações para normalizar a navegação no Estreito de Ormuz.
O mercado acompanhou a redução de 33% no tráfego da região em relação ao dia anterior, segundo a Kpler, enquanto Irã e Omã seguem negociando um acordo para definir as rotas de passagem. Paralelamente, notícias da imprensa local indicam que o plano em discussão poderá restringir o trânsito de embarcações americanas e israelenses.
No fechamento, o Brent para outubro subiu 1,29%, para US$ 83,55 por barril, enquanto o WTI para setembro avançou 1,15%, para US$ 78,18. Apesar da recuperação nas últimas sessões, os contratos acumularam perdas de 5% e 7,7%, respectivamente, na semana.
As bolsas americanas encerraram o pregão em alta após o payroll reforçar a expectativa de que o Federal Reserve mantenha os juros inalterados em setembro.
O Dow Jones subiu 0,28%, aos 54.036,93 pontos. O S&P 500 avançou 0,62%, renovando seu recorde de fechamento aos 7.757,64 pontos, enquanto o Nasdaq ganhou 1,30%, encerrando aos 26.690,62 pontos.
Na semana, os índices acumularam ganhos de 2,96%, 3,58% e 5,19%, respectivamente, impulsionados pela leitura de que a desaceleração do mercado de trabalho reduz a pressão para uma nova alta de juros nos Estados Unidos.