Petrobras: "Hoje temos em vigor uma política pública que nos dá uma subvenção para o mercado interno e faz com que nossos preços percebidos pelo cliente sejam menores", disse Angélica Laureano (Agência Petrobras/Divulgação)
Repórter
Publicado em 7 de agosto de 2026 às 15h04.
A Petrobras (PETR4) afirmou durante a teleconferência com analistas, nesta sexta-feira, 7, que aposta em maior utilização das refinarias e em uma política de subvenção ao mercado interno para administrar os preços dos combustíveis diante da volatilidade do petróleo, que voltou a subir com a reescalada das tensões entre Estados Unidos e Irã.
No final de julho, o petróleo do titpo Brent, referência mundial, voltou a ultrapassou a marca de US$ 100 por barril pela primeira vez em mais de um mês, em meio à escalada das tensões entre Irã e Estados Unidos.
O avanço dos preços refletia uma combinação de fatores que preocupa o mercado de energia, como o rompimento do frágil cessar-fogo firmado entre Washington e Teerã, ameaças cruzadas de retaliação e um novo foco de instabilidade fora do Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto da commodity a nível global.
Nas últimas semanas, entre idas e vindas do acordo entre EUA e Irã, o petróleo registra forte volatlidade. Nesta sexta, por exemplo, a commodity é negociada com alta de quase 1%, a US$ 84.
Questionada sobre a estratégia de importação de diesel em um momento em que os preços domésticos estão abaixo da paridade internacional, a diretora executiva de Logística, Comercialização e Mercados, Angélica Laureano, afirmou que a política comercial da companhia segue mantida.
Segundo Laureno, as decisões de importação continuam seguindo critérios de competitividade e rentabilidade, mas destacou o efeito da política pública de subvenção ao mercado interno.
"Nosso planejamento de produção considera os compromissos assumidos com clientes, as variações sazonais de demanda, a disponibilidade das refinarias, as margens de refino e a estrutura logística. Nossa política comercial está mantida, e as decisões de importação seguem critérios de competitividade e rentabilidade", afirmou a executiva.
"Hoje temos em vigor uma política pública que nos dá uma subvenção para o mercado interno e faz com que nossos preços percebidos pelo cliente sejam menores", acrescentou.
Na teleconferência, o diretor financeiro da Petrobras, Fernando Melgarejo, também afirmou que uma eventual antecipação de investimentos será feita apenas se houver ganho de valor para a companhia, especialmente com antecipação de produção.
“Se tivermos que antecipar qualquer tipo de investimento, é porque isso trará maior valor agregado e antecipação de produção de óleo para a companhia, o que é positivo”, disse. “Nós perseguimos antecipação, mas é claro que não perseguimos aumento de custos.”
Segundo o executivo, a prioridade do caixa gerado pela companhia será o investimento e a redução da dívida. Melgarejo afirmou que é pouco provável a distribuição de dividendos extraordinários neste ano, como já havia antecipado na conferência do balanço de 1° trimestre da Petrobras.
"A priorização [do caixa] é em investimentos e antecipações de projeto. A segunda prioridade é fazer a convergência da dívida para US$ 65 bilhões", afirmou.
A dívida bruta da Petrobras terminou junho em US$ 70,8 bilhões, enquanto a dívida líquida recuou para US$ 60,4 bilhões. A relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado caiu de 1,43 vez para 1,14 vez no trimestre. A companhia aprovou ainda R$ 17,4 bilhões em dividendos referentes ao resultado do segundo trimestre.