O que move os mercados: tensão aumentou com a decisão dos Estados Unidos de iniciar, a partir das 11h (horário de Brasília), um bloqueio à circulação de navios com origem ou destino a portos iranianos no Estreito de Ormuz (Jackyenjoyphotography/Getty Images)
Repórter
Publicado em 13 de abril de 2026 às 05h30.
Os mercados iniciam a semana com uma agenda de indicadores e eventos que devem guiar o humor dos investidores ao longo desta segunda-feira, 13.
Logo nas primeiras horas do dia, a atenção se volta para a Europa e os Estados Unidos, com discursos, reuniões multilaterais e dados do setor imobiliário americano, além de compromissos relevantes no Brasil.
Na agenda do dia, o destaque inicial fica para o discurso de Luis de Guindos, do Banco Central Europeu (BCE), previsto para as 7h, no mesmo horário em que ocorrem as reuniões do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Ainda pela manhã, às 8h25, o Banco Central divulga a Pesquisa Focus, que reúne as projeções do mercado para os principais indicadores econômicos do país. No último boletim, a estimativa da inflação para este ano cresceu pela quarta semana consecutiva, saindo de 4,31% para 4,36%.
Nos Estados Unidos, o principal dado do dia será conhecido às 11h, com a divulgação das vendas de moradias existentes de março, após alta de 1,7% em fevereiro.
Já à tarde, às 15h, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) publica a balança comercial semanal, tendo como referência o superávit de US$ 6,4 bilhões registrado em março. Completa o noticiário o relatório mensal da Opep, que também entra no radar por seu impacto potencial sobre o mercado de petróleo.
Além dos indicadores, a semana marca o início da temporada de balanços do primeiro trimestre nos Estados Unidos, com a divulgação dos resultados dos grandes bancos.
Nesta segunda-feira, o Goldman Sachs publica seus números antes da abertura dos mercados por volta das 7h30 (horário local0. Também está prevista a divulgação do balanço da Louis Vuitton, ampliando o foco dos investidores para diferentes setores da economia global.
No Brasil, a agenda de autoridades traz compromissos relevantes, ainda que sem eventos públicos de grande impacto imediato. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, está em viagem nos EUA e será substituído por Izabela Moreira Correa.
Pela manhã, Galípolo participa de uma reunião do Conselho Consultivo para as Américas do Banco de Compensações Internacionais (BIS), em Nova York, em encontro fechado à imprensa.
Já o ministro da Fazenda, Dario Durigan, participa de um encontro institucional com investidores nacionais e internacionais promovido pelo Itaú BBA, em São Paulo, também sem acesso da imprensa.
No campo político e geopolítico, o principal fator de atenção segue sendo o conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel. O cessar-fogo temporário de duas semanas completa seis dias nesta segunda, após um fim de semana marcado por negociações sem acordo definitivo, mediadas pelo Paquistão.
Segundo autoridades americanas, as conversas se estenderam por cerca de 21 horas, mas terminaram sem consenso.
A tensão aumentou com a decisão dos Estados Unidos de iniciar, a partir das 11h (horário de Brasília), um bloqueio à circulação de navios com origem ou destino a portos iranianos no Estreito de Ormuz.
A medida foi anunciada pelo Comando Central militar americano (Centcom) após determinação do presidente Donald Trump, que classificou a ação como uma resposta às ameaças iranianas.
O estreito é uma região estratégica para o comércio global de energia, concentrando cerca de um quinto do fluxo mundial de petróleo. Apesar disso, o Irã afirmou que a passagem segue aberta para navios civis e alertou que qualquer aproximação de embarcações militares poderá ser considerada violação do cessar-fogo.