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Dólar tem maior alta semanal em mais de três anos e fecha a R$ 5,067

Treasuries de 10 anos renovaram máximas que não eram vistas desde o primeiro semestre do ano passado, o que impulsionou a moeda

Dólar: moeda fecha acima dos R$ 5 (Deagreez/Getty Images)

Dólar: moeda fecha acima dos R$ 5 (Deagreez/Getty Images)

Rebecca Crepaldi
Rebecca Crepaldi

Repórter de finanças

Publicado em 15 de maio de 2026 às 17h40.

O dólar encerrou a sexta-feira, 15, em forte alta de 1,63% cotado a R$ 5,067. Na semana, subiu 3,58%, a maior alta semanal em mais de três anos. A última vez que a moeda havia subido nesse patamar foi na semana de 6 de novembro, quando subiu 5,33% frente ao real.

Hoje, o pregão foi marcado pela aversão global ao risco, aumento das tensões geopolíticas e revisão das expectativas para os juros nos Estados Unidos. O movimento foi impulsionado pela busca de investidores por ativos considerados mais seguros, em meio à percepção de que a inflação global seguirá resistente e obrigará bancos centrais a manterem juros elevados por mais tempo.

Segundo Paula Zogbi, estrategista-chefe do Nomad,, o mercado passou por uma “reprecificação agressiva” dos ativos globais diante da combinação entre inflação persistente e incertezas geopolíticas.

O pano de fundo continua sendo o conflito no Oriente Médio. De acordo com Zogbi, as novas acusações entre Teerã e Washington aumentaram a percepção de que não há disposição das partes para um consenso no curto prazo. “Esse movimento está intimamente ligado à geopolítica. O conflito mantém o petróleo Brent acima de US$ 108, o que retroalimenta o choque de oferta e amplia as pressões inflacionárias”, disse.

Nesse cenário, o mercado de títulos soberanos dos Estados Unidos voltou ao centro das atenções. Os Treasuries de 10 anos renovaram máximas que não eram vistas desde o primeiro semestre do ano passado, refletindo apostas de que o Federal Reserve poderá elevar os juros novamente em 2026. “É uma mudança drástica em relação ao início do ano, quando o mercado trabalhava com um cenário de afrouxamento monetário”, destacou Zogbi.

A busca global por segurança fortaleceu o dólar no exterior. O índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de divisas fortes, voltou a testar os 100 pontos, enquanto o índice de volatilidade VIX registrou nova rodada de estresse. “O ambiente de ‘flight to quality’ pressiona moedas emergentes e ajuda a explicar a forte valorização do dólar frente ao real”, concluiu o economista.

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