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Petróleo dispara após ameaça de bloqueio dos EUA no Estreito de Ormuz

Sem acordo entre Washington e Teerã, mercado reage com alta do petróleo e do gás, enquanto risco de escalada cresce

Petróleo: preço do barril oscila com guerra no Irã. (atlascompany/Freepik)

Petróleo: preço do barril oscila com guerra no Irã. (atlascompany/Freepik)

Da Redação
Da Redação

Redação Exame

Publicado em 12 de abril de 2026 às 19h26.

Os preços do petróleo subiram com força na abertura dos mercados após os Estados Unidos anunciarem um bloqueio ao Estreito de Ormuz, em meio ao fracasso das negociações com o Irã no fim de semana para encerrar o conflito.

O barril do Brent, referência global, avançava quase 8% por volta das 19h do domingo, 12, a US$ 102,39, enquanto o WTI superou os US$ 103, segundo a Bloomberg. Já os futuros de gás natural na Europa chegaram a subir até 18%, acompanhando o movimento das commodities energéticas.

O bloqueio, segundo o Comando Central dos EUA, começa a ser implementado a partir das 11h (horário do Brasil) desta segunda-feira, 13, e se aplica a embarcações que entram ou saem de portos iranianos.

O Estreito de Ormuz — uma das rotas mais estratégicas do comércio global de energia — já vinha operando com restrições desde o início dos ataques de Estados Unidos e Israel contra o Irã, no fim de fevereiro.

Nas últimas semanas, Teerã intensificou o controle sobre a passagem, limitando o tráfego e impondo custos adicionais a navios, o que reduziu significativamente o fluxo em relação aos níveis pré-guerra.

Vista de satélite do Estreito de Ormuz com linhas gráficas brancas representando rotas marítimas globais e tráfego marítimo entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã. Conceito estratégico de transporte de petróleo

Estreito de Ormuz: abertura da rota de escoamento do petróleo segue incerta após cessar-fogo temporário (GettyImages)

Mercado reage à escalada

A decisão americana de formalizar o bloqueio ocorre após o colapso das negociações em Islamabad, que não resultaram em acordo sobre a abertura da rota marítima. No domingo, dois navios chegaram a tentar atravessar o estreito, mas deram meia-volta diante da incerteza.

Para analistas, o movimento dos EUA pode não resolver a crise — e, ao contrário, aumentar os riscos de escalada.

“Essa é uma iniciativa bastante ambiciosa e que não resolve o problema da interrupção”, disse à Bloomberg Mona Yacoubian, diretora do programa para o Oriente Médio no Center for Strategic and International Studies. “É difícil fazer sentido disso.”

Segundo a especialista, caso o Irã sinta que suas exportações de petróleo estão ameaçadas, pode ampliar o conflito para outras rotas críticas. Para ela, a experiência mostra que os iranianos dificilmente cederão e provavelmente responderão à altura.”

Risco de ampliação do conflito

Um dos cenários considerados é a atuação de forças houthis no Iêmen, que poderiam atacar o tráfego no estreito de Bab el-Mandeb, na entrada sul do Mar Vermelho — outro ponto estratégico para o comércio global.

O fracasso das negociações representa um revés relevante após a trégua anunciada na semana passada. Segundo a agência iraniana Tasnim, o Irã classificou as exigências americanas como “excessivas”.

Do lado americano, o vice-presidente J.D. Vance afirmou que o principal objetivo de Washington era obter um compromisso do Irã de não buscar armas nucleares — o que não foi alcançado.

Pressão global por energia

O agravamento da crise ocorre em um momento de alta sensibilidade do mercado global de energia. A interrupção no Estreito de Ormuz — por onde passa uma parcela relevante do petróleo mundial — eleva os riscos de inflação, pressiona custos industriais e amplia a volatilidade nos mercados.

Em paralelo, a Arábia Saudita afirmou neste domingo que conseguiu restaurar a capacidade total de bombeamento do oleoduto leste-oeste e retomar a produção no campo de Manifa, em um esforço para mitigar os impactos da crise sobre a oferta global.

Ainda assim, analistas avaliam que a normalização do mercado dependerá diretamente da evolução do conflito — e de uma eventual retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã.

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