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Fed vê espaço limitado para novo corte de juros, indica ata

Com atividade econômica sólida e inflação ainda acima da meta, membros do Fed defendem cautela em novos cortes de juros

Juros nos EUA: O Federal Reserve, Banco Central dos Estados Unidos, decidiu interromper a sequência de cortes na taxa de juros do país em janeiro (AFP)

Juros nos EUA: O Federal Reserve, Banco Central dos Estados Unidos, decidiu interromper a sequência de cortes na taxa de juros do país em janeiro (AFP)

Publicado em 18 de fevereiro de 2026 às 16h19.

Última atualização em 18 de fevereiro de 2026 às 16h50.

O Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) sinalizou maior cautela com novos cortes de juros nos Estados Unidos na ata da última reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) divulgada nesta quarta-feira, 18.

No documento, as autoridades indicaram que um afrouxamento monetário adicional pode não ser justificado neste momento, diante da persistência da inflação acima da meta e de uma atividade econômica considerada sólida.

"Vários desses participantes julgaram que um afrouxamento monetário adicional poderia não ser justificado até que houvesse indicação clara de que o processo de desinflação estivesse firmemente retomado", destaca trecho da ata do Fed.

O documento faz referência à última reunião do Fomc, realizada nos dias 27 e 28 de dezembro, quando as autoridades monetárias interromperam a sequência de cortes na taxa de juros do país e mantiveram a taxa americana no intervalo entre 3,5% e 3,75%

Na ocasião, quase todos os membros concordaram com a decisão, com exceção dos diretores Stephen Miran e Christopher J. Waller, que votaram por um novo corte de 0,25 ponto percentual, como os últimos três cortes.

"Aqueles que preferiram reduzir a meta nesta reunião expressaram preocupação com o fato de a atual postura da taxa básica de juros ainda ser significativamente restritiva e consideraram os riscos de queda para o mercado de trabalho uma preocupação política mais importante do que o risco de inflação persistentemente elevada", menciona a ata.

A avaliação predominante, porém, foi de que após a redução acumulada de 75 pontos-base no ano passado, a política monetária americana já se encontra próxima do nível neutro.

"Comentaram que a manutenção da atual meta para a taxa básica de juros permitiria que os formuladores de políticas estivessem bem posicionados para determinar a extensão e o momento de ajustes adicionais na taxa básica, com base nos dados disponíveis, na evolução das perspectivas e no equilíbrio de riscos".

A ata do Fed também reforça que "os indicadores disponíveis sugerem que a atividade econômica tem se expandido a um ritmo sólido", enquanto "a criação de empregos permaneceu baixa e a taxa de desemprego apresentou alguns sinais de estabilização".

Fed dividido

Ao discutir os próximos passos, vários participantes defenderam cautela. Segundo o registro da reunião, alguns dirigentes avaliaram que também que "provavelmente seria apropriado manter a taxa básica de juros estável por algum tempo, enquanto o Comitê avalia cuidadosamente os dados recebidos".

A maioria considerou que o risco de inflação persistentemente acima da meta de 2% segue significativo. Houve ainda alertas de que um novo corte de juros, em um ambiente de inflação elevada, poderia ser interpretado como sinal de menor compromisso com a meta, o que poderia consolidar pressões inflacionárias.

Apesar disso, o comunicado não descartou novos ajustes nos juros ao longo de 2026.

"Os membros concordaram que, ao considerar a extensão e o momento de ajustes adicionais na meta para a taxa de juros dos fundos federais, o Comitê avaliaria cuidadosamente os dados recebidos, a evolução das perspectivas e o equilíbrio de riscos. Os membros concordaram que a declaração pós-reunião deveria reafirmar seu forte compromisso tanto com o apoio ao máximo emprego quanto com o retorno da inflação à meta de 2% do Comitê", informou o Fomc, reiterando que a política "não segue um curso predefinido".

Fomc volta a se reunir em março

O Comitê Federal de Mercado Aberto volta a se reunir nos dias 17 e 18 de março. A ferramenta FedWatch da CME mostra que os mercados neste momento precificam uma probabilidade de quase 95% de manutenção dos juros no atual patamar, ante as chances de 6% de um corte de 0,25 ponto percentual.

Essa deve ser a penúltima reunião do atual presidente do Fed, Jerome Powell, como chair da instituição, já que a autoridade deve concluir seu mandato em 15 de maio, data em que Kevin Warsh, indicado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para liderar o Fed, assumirá o cargo, desde que o Senado aprove.

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