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Fed reduz juros nos EUA em 0,25 ponto percentual, conforme o esperado

Banco Central americano reduziu juros pela terceira reunião seguida, a última do ano

Federal Reserve: decisão não foi unânime (Hisham Ibrahim/Getty Images)

Federal Reserve: decisão não foi unânime (Hisham Ibrahim/Getty Images)

Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 10 de dezembro de 2025 às 16h05.

Última atualização em 10 de dezembro de 2025 às 16h53.

O Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos Estados Unidos, reduziu a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual para a faixa de 3,50% a 3,75%. A decisão, divulgada após a reunião encerrada nesta quarta-feira, 10, do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), veio dentro do esperado pelo mercado.

A ferramenta Fed Watch, do CME Group, mostrava que 89% das apostas indicavam um corte dessa magnitude nos juros americanos.

É o terceiro corte seguido da taxa, mas a decisão não foi unânime. O diretor Stephen Miran votou por um corte maior, de 0,5 ponto percentual. Outros dois dirigentes do Fed, Austan Goolsbee e Jeffrey Schmid, defenderam que os juros fossem mantidos no patamar em que estavam, na faixa de 3,75% a 4%.

No comunicado, os dirigentes destacaram que os indicadores disponíveis sugerem que a atividade econômica dos EUA tem se expandido a um ritmo moderado, mas citam que o crescimento do emprego desacelerou ao longo de 2025, enquanto a taxa de desemprego subiu ligeiramente até setembro.

O Fomc também aponta que a inflação americana subiu desde o início do ano e permanece "um pouco elevada".

"O Comitê busca atingir o máximo de emprego e uma inflação de 2% no longo prazo. A incerteza sobre as perspectivas econômicas continua elevada. O Comitê está atento aos riscos para ambos os lados de seu duplo mandato e avalia que os riscos de queda para o emprego aumentaram nos últimos meses", afirmam no comunicado, justificando o novo corte nos juros.

A autoridade monetária acrescentou que continuará monitorando as implicações das informações recebidas para as perspectivas econômicas, e ressaltou que, caso a meta de 2% para emprego e inflação fiquem em risco, o Comitê poderá revisar sua política monetária.

O Fomc também anunciou que iniciará a compra de titulos do Tesouro americano de curto prazo. "Para manter um amplo suprimento de reservas de forma contínua", indica o documento.

Mercado vê manutenção dos juros em janeiro

Ao analisar a decisão, operadores do mercado financeiro apontaram a possibilidade uma pausa dos cortes de juros na próxima reunião do Fed, em 28 de janeiro, em função da falta de consenso entre as autoridades monetárias. Em novembro, apenas Jeffrey Schmid preferia manter o intervalo-alvo inalterado mas, dessa vez, Austan Goolsbee também se somou ao pleito da manutenção.

"Isso mostra uma maior dificuldade do comitê na tomada de decisões em meio ao balanço de riscos que continua delicado, com inflação longe da meta e atividade desacelerando", diz Danilo Igliori, economista-chefe da Nomad.

A ferramenta Fed Watch, do CME Group, mostrava que 73,4% das apostas apontam a continuidade da taxa atual no próximo mês.

"A depender do posicionamento do presidente do Fed, Jerome Powell, na coletiva de imprensa, o movimento tende a ser considerado um 'corte hawkish', mas a cautela em relação aos dados já era esperada. Os índices de ações subiam levemente após a divulgação da decisão", acrescenta Igliori.

Bruno Perri, economista-chefe, estrategista de investimentos e sócio-fundador da Forum Investimentos, observa que o Fed explicitou sua preocupação com o mercado de trabalho, colocando mais peso nessa questão do que na própria inflação de curto prazo que ainda não está no centro da meta.

"O mercado vai ficar olhando muito para dados de inflação, mercado de trabalho, atividade econômica nos Estados Unidos, para entender qual é a probabilidade de um novo corte já no começo do ano. Teria que acontecer muita coisa para sugerir um novo corte considerando que dois diretores já queriam manter os juros no patamar atual", afirma Perri.

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