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Excesso de petróleo pode sustentar queda nos preços, diz IEA

Crescimento da oferta será de 2,5 milhões de barris por dia (mb/d), enquanto a demanda avançará apenas 930 mil barris diários, aponta a Agência Internacional de Energia

Petróleo: IEA enxerga superávit neste ano (Montagem com elementos Canva)

Petróleo: IEA enxerga superávit neste ano (Montagem com elementos Canva)

Publicado em 24 de janeiro de 2026 às 16h51.

A produção mundial de petróleo deve ultrapassar com folga a demanda em 2026, estabelecendo um desequilíbrio estrutural que pressiona os preços e desafia o planejamento das maiores economias globais.

O crescimento da oferta será de 2,5 milhões de barris por dia (mb/d), enquanto a demanda avançará apenas 930 mil barris diários — menos de 40% do volume adicional ofertado, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês).

Para a entidade, o cenário reforça o acúmulo já visível em estoques: em 2025, as reservas globais aumentaram 470 milhões de barris, ou 1,3 mb/d em média, resultado de um ciclo de alta coordenada de produção, liderado por Estados Unidos, Canadá, Brasil, Guiana e Argentina.

A Opep+ também elevou volumes, com destaque para a Arábia Saudita, que retomou a produção após o fim dos cortes voluntários. Em dezembro, o grupo extraiu 43,29 mb/d, mantendo uma capacidade ociosa de 4,56 mb/d — margem técnica que reforça a estabilidade da oferta, mesmo diante de choques.

Estoques crescem mesmo com tensão geopolítica

Em janeiro, o mercado reagiu a conflitos envolvendo Irã e Venezuela com um salto de US$ 6 no barril do Brent. O movimento perdeu força dias depois, com a percepção de que o risco à oferta estava contido.

As exportações iranianas caíram 350 kb/d no fim de 2025, enquanto a Venezuela reduziu embarques de 880 kb/d para cerca de 300 kb/d, sob sanções dos EUA.

Ao mesmo tempo, a Rússia aumentou a produção em 550 kb/d, atingindo o maior nível em 33 meses, mesmo sob ataques a sua infraestrutura energética. O movimento compensou quedas em países da Ásia Central e reforçou a resiliência do fornecimento global.

Os estoques seguem em expansão: só em novembro, houve aumento de 75,3 milhões de barris, com 96% concentrados em petróleo bruto armazenado em terra. Os dados preliminares de dezembro mostram novas altas, com destaque para a China, que ampliou importações após a liberação de novas cotas.

Demanda desacelera e margens recuam

Do lado da demanda, o crescimento segue em desaceleração. O consumo global avançará 930 kb/d em 2026, puxado por países fora da OCDE e uma recuperação parcial de matérias-primas petroquímicas. O uso de gasolina, no entanto, continua em queda.

O volume processado em refinarias alcançou 85,7 mb/d em dezembro, antes das paradas de manutenção previstas para o primeiro trimestre. A média anual para 2026 será de 84,6 mb/d, com crescimento inferior ao observado em 2025.

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As margens de refino despencaram em dezembro, especialmente na Europa, com a queda acentuada nos preços dos destilados médios.

Mesmo com oscilações pontuais nos preços, o mercado mantém uma tendência estrutural de oferta excedente. O Brent está US$ 16 abaixo da cotação de um ano atrás. A estabilidade nos próximos meses, segundo a agência, dependerá da disciplina da Opep+ e da continuidade da produção nos campos de xisto dos Estados Unidos.

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