Petróleo na Venezuela: em resposta à reportagem da Bloomberg, a J&F declarou que não possui ativos atualmente na Venezuela, mas acompanha de perto os desdobramentos políticos e econômicos (Blomberg/Bloomberg)
Redação Exame
Publicado em 19 de janeiro de 2026 às 06h00.
Os irmãos Batista avaliam uma entrada estratégica no setor de petróleo da Venezuela, apostando em uma possível reabertura e revitalização da indústria energética do país após a queda de Nicolás Maduro.
A movimentação ocorre em meio às sinalizações do governo dos Estados Unidos de estímulo à exploração do setor petrolífero venezuelano.
Segundo informações da Bloomberg, a família brasileira, controladora da J&F e do maior frigorífico do mundo, mantém uma posição indireta no país por meio de um sócio que detém participação no projeto Petrolera Roraima, que reúne campos anteriormente operados pela ConocoPhillips. Trata-se de um conjunto de ativos com potencial de bilhões de barris.
Antes da deposição de Maduro no início do mês, um representante comercial ligado aos Batista adquiriu essa participação.
A Fluxus, empresa de petróleo da família, pode se juntar formalmente a esse ou a outros projetos assim que houver melhora no ambiente econômico e regulatório, afirmaram pessoas familiarizadas com o tema à agência de notícias.
Em resposta à reportagem da Bloomberg, a J&F declarou que não possui ativos atualmente na Venezuela, mas acompanha de perto os desdobramentos políticos e econômicos.
"Assim que um cenário de estabilidade institucional e segurança jurídica for estabelecido, estaremos prontos para avaliar investimentos", afirmou a holding.
A postura cautelosa da família nos últimos anos esteve ligada às sanções impostas pelos Estados Unidos, especialmente por conta da forte presença do grupo no mercado americano, incluindo a processadora de frangos Pilgrim’s Pride.
Ainda assim, o novo contexto abre espaço para investidores que já tenham articulações locais.
Embora Trump tenha criticado o processo de nacionalização que retirou ativos de empresas americanas há quase duas décadas, o governo dos EUA não indicou intenção de reverter essas medidas. Isso tende a favorecer grupos dispostos a assumir riscos iniciais, enquanto grandes companhias americanas e europeias aguardam garantias mais robustas.
Nesse cenário, Joesley Batista tem ganhado protagonismo na transição pós-Maduro. Recentemente, ele viajou de Washington a Caracas para se reunir com a presidente interina Delcy Rodríguez.
Em dezembro, o empresário já havia ido ao país para defender uma saída negociada do antigo governo, reforçando o posicionamento da família como potencial protagonista na retomada do que já foi o maior exportador de petróleo da América Latina.
O governo Trump afirmou que pretende vender entre 30 milhões e 50 milhões de barris de petróleo venezuelano, sob controle dos EUA, com o objetivo declarado de beneficiar tanto o povo da Venezuela quanto o americano.
Apesar das incertezas, o discurso do presidente vem impulsionando o setor de energia no índice S&P 500, que sobe 7,5% no ano até quinta, 15, segundo levantamento do The New York Times.
Empresas de serviços petrolíferos lideram os ganhos, como a Schlumberger (SLB), a maior empresa prestadora de serviços de petróleo do mundo que acumula alta superior a 20%, enquanto a Halliburton avança mais de 15%.
Investidores passaram a ver essas companhias, responsáveis pela infraestrutura de perfuração, como beneficiárias independentemente de quais petroleiras voltem a operar na Venezuela. Já gigantes como Chevron e Exxon Mobil registram valorização próxima de 10% desde o início do ano.
O preço do petróleo, por sua vez, subiu pouco mais de 2% e segue abaixo de US$ 60 por barril, um nível considerado suficiente para manter a lucratividade das empresas, mas ainda insuficiente para estimular novos investimentos relevantes em perfuração no país sul-americano, de acordo com analistas ao jornal americano.