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Efeitos adversos derrubam ação de rival de Ozempic e Mounjaro

Analistas apontam os desafios da Zealand para competir com Ozempic, Mounjaro, Wegovy e Zepbound

Mercado de obesidade: concorrência cresce entre farmacêuticas globais. (JDawnInk/Getty Images)

Mercado de obesidade: concorrência cresce entre farmacêuticas globais. (JDawnInk/Getty Images)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 8 de junho de 2026 às 09h49.

Última atualização em 8 de junho de 2026 às 10h12.

As ações da Zealand Pharma fecharam em queda de cerca de 25% nesta segunda-feira, 8, após a farmacêutica dinamarquesa divulgar novos dados sobre a "survodutida", medicamento experimental para obesidade desenvolvido em parceria com a Boehringer Ingelheim.

A empresa informou que o tratamento atingiu os principais objetivos do estudo clínico de fase avançada. No entanto, os resultados também mostraram que 19% dos pacientes interromperam o tratamento devido a eventos gastrointestinais, ante 2,9% no grupo placebo.

Os papéis da companhia registraram o pior desempenho do índice Stoxx 600 no dia. No acumulado de 2026, a desvalorização das ações já se aproxima de 50%, de acordo com informações divulgada pela CNBC.

Analistas destacam preocupações

Em relatório repercutido pelo canal estadunidense, analistas do Barclays afirmaram que "segurança e tolerabilidade" continuam sendo as principais questões relacionadas ao medicamento.

O banco destacou que a taxa de descontinuação do tratamento e o fato de mais de 40% dos pacientes terem relatado episódios de vômito podem limitar o potencial comercial da survodutida para obesidade e esteatose hepática.

Analistas do Citi também chamaram atenção para os efeitos adversos observados no estudo. "Uma taxa de descontinuação do tratamento de 19% devido a eventos adversos não é insignificante."

"A incidência de náuseas, vômitos, diarreia e constipação nos níveis relatados aqui está bem acima do que consideramos comercialmente viável em comparação com [os medicamentos concorrentes] tirzepatida e semaglutida", acrescentaram.

Mercado de obesidade atrai concorrentes

Hoje, os medicamentos mais vendidos para obesidade pertencem à Novo Nordisk e à Eli Lilly, que comercializam tratamentos como Wegovy, Ozempic, Zepbound e Mounjaro.

Empresas como Roche, Amgen e AstraZeneca também desenvolvem tratamentos voltados para obesidade.

Em março, o CEO da Zealand Pharma, Adam Steensberg, afirmou à CNBC acreditar que o setor passará a dar maior atenção à tolerabilidade dos tratamentos, ou seja, a capacidade de lidar com os efeitos colaterais.

"Acho que muito em breve as pessoas começarão a perceber que não se trata do número de perda de peso, mas sim de como se alcança essa perda de peso", disse.

Medicamentos contra a obesidade

A survodutida foi testada durante 76 semanas em adultos com obesidade ou sobrepeso sem diabetes tipo 2. Houve perda média de peso de até 16,6% entre os que receberam o medicamento. No grupo placebo, a redução foi de 3,2%.

Os resultados completos foram divulgados cerca de três meses após a Zealand Pharma registrar sua maior queda histórica na bolsa, após a divulgação de dados da "petrelintida", outro medicamento experimental para obesidade.

Novos dados sobre a petrelintida foram divulgados na sexta-feira, 5. O Barclays afirmou que as informações trouxeram detalhes adicionais sobre o perfil clínico do tratamento, mas pouco alteraram sua avaliação.

O banco acrescentou que a petrelintida apresenta um perfil promissor de tolerabilidade, mas que sua eficácia parece inferior à observada em tratamentos concorrentes em desenvolvimento e em medicamentos já disponíveis.

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