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Índice Stoxx 600 cai 7,8% e ações europeias vivem pior mês desde 2020

Conflito no Oriente Médio pressiona energia, reacende inflação e muda apostas sobre juros; queda nas ações interrompe sequência positiva e reflete o aumento da aversão ao risco

Mercados: bolsas europeias reagem ao risco de escassez de energia e à volta da inflação acima da meta. (wirestock/Freepik)

Mercados: bolsas europeias reagem ao risco de escassez de energia e à volta da inflação acima da meta. (wirestock/Freepik)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 31 de março de 2026 às 07h14.

As bolsas de valores europeias encerram o mês de março com o pior desempenho mensal dos últimos anos, pressionadas pela guerra no Irã e pelas incertezas sobre o fornecimento global de energia.

O índice pan-europeu Stoxx 600, que vinha de oito meses seguidos de alta, caiu 7,8% apenas em março, o pior resultado mensal em seis anos, segundo dados consultados pela Reuters.

A queda interrompe sequência positiva e reflete o aumento da aversão ao risco, em meio ao temor de inflação mais alta e desaceleração econômica com o bloqueio de grande rota de escoamento do petróleo: o Estreito de Ormuz.

Petróleo pressiona e inflação volta a subir

A disparada do petróleo, causada pela interrupção no fluxo de oferta, foi o principal motor da volatilidade.

O setor de energia foi o único no positivo no mês, com alta de 14%, enquanto os demais segmentos sofreram com custos mais elevados e revisão para baixo nas expectativas de crescimento, conforme a agência.

E o impacto já aparece na inflação, com a prévia da zona do euro subindo para 2,5% em março, acima dos 1,9% de fevereiro e também da meta de 2% do Banco Central Europeu (BCE), de acordo com dados da Eurostat citados pela CNBC.

O mercado passou a projetar ao menos dois novos aumentos de juros até o fim de 2026.

Contradições dos EUA aumentam incerteza

O humor dos investidores também oscilou com mensagens divergentes vindas de Washington.

O The Wall Street Journal divulgou que o presidente Donald Trump teria indicado a assessores que considera encerrar as operações militares contra o Irã, mesmo com o Estreito de Ormuz ainda fechado.

A sinalização, no entanto, contrasta com ameaças anteriores de ampliar ataques à infraestrutura iraniana, o que mantém o mercado cauteloso.

A analista sênior de mercado da City Index, Fiona Cincotta, vê que esse tipo de movimento já virou padrão, isto é, declarações que animam o mercado, mas acabam perdendo efeito diante da falta de definição.

"Vimos isso inúmeras vezes nas últimas semanas, com um comentário de Trump que parece encorajador, mas esse otimismo logo se dissipa."Fiona Cincotta, analista sênior de mercado da City Index em entrevista à Reuters

Empresas limitam perdas no fim do trimestre

No noticiário corporativo, algumas operações ajudaram a reduzir as perdas no fim do trimestre.

A Unilever avançou após confirmar negociações para fundir sua divisão de alimentos com a McCormick & Company, em um acordo que pode chegar a US$ 15,7 bilhões, pontuaram fontes ouvidas pela Reuters.

No setor financeiro, o UBS subiu 3% após o Financial Times reportar que legisladores suíços discutem flexibilizar regras de capital para o banco.

Já no campo político, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que os objetivos militares no Irã devem ser concluídos em "semanas, não meses", indicou a agência.

"Estamos bem encaminhados ou até mesmo adiantados em relação ao cronograma", disse. A fala trouxe algum alívio pontual aos mercados, mas não foi suficiente para reverter o saldo negativo de março.

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